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Mercados de Previsão

Polymarket chega a US$ 180 mi em apostas na eleição

Mesmo proibida pelo CMN desde 2024, a Polymarket triplicou o volume apostado na eleição brasileira em seis meses, com Bolsonaro favorito no 2º turno.

Por Fernanda Kato 12 de outubro 4 min de leitura
Resumo Mesmo proibida pelo CMN desde 2024, a Polymarket triplicou o volume apostado na eleição brasileira em seis meses, com Bolsonaro favorito no 2º turno.
Logotipo oficial da Polymarket (Logotipo oficial da Polymarket.)
Logotipo oficial da Polymarket. (Foto: 1924848uejdjfik Public domain via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Company_Logo_Polymarket.png)

O mercado eleitoral brasileiro na Polymarket acumulou cerca de US$ 180,27 milhões até 12 de outubro de 2026. Flávio Bolsonaro aparecia como favorito, com 86% de probabilidade implícita, contra 13% de Lula.

A diferença entre os dois cresceu junto com o volume. Em abril, a vantagem de Bolsonaro sobre Lula era de apenas 5 pontos percentuais, 41% a 36%. Seis meses depois, a distância chegou a 73 pontos.

Segundo turno eleva favorito

Bolsonaro venceu o primeiro turno em 4 de outubro com 47,03% dos votos válidos. Lula teve 45,16%, e os dois foram ao segundo turno, marcado para 25 de outubro.

O resultado das urnas no primeiro turno foi o que elevou a posição de favorito de Bolsonaro na Polymarket. O mercado contabiliza 19 resultados possíveis dentro do evento, e a resolução contratual está prevista para a mesma data do segundo turno, 25 de outubro de 2026.

Crescimento de três vezes em seis meses

Em 27 de abril de 2026, a Polymarket já havia movimentado US$ 60 milhões em apostas sobre a eleição presidencial brasileira. A Kalshi, concorrente direta, somava apenas US$ 1,17 milhão no mesmo período, uma fração do volume da rival e sinal de que a Polymarket dominava quase por completo esse mercado específico.

O volume triplicou em menos de seis meses, mesmo com a plataforma oficialmente proibida de operar no Brasil desde maio de 2024.

Em abril, o mercado dava a Romeu Zema 9,9% de chance de vitória.

Proibição de 2024 ainda em vigor

O Conselho Monetário Nacional aprovou a Resolução nº 5.298 em sessão de 23 de abril de 2024, publicada no dia seguinte. A norma proíbe a oferta e a negociação de contratos de derivativos ligados a eventos esportivos reais, jogos online e eventos políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento, conforme detalhou a CNN Brasil.

A resolução entrou em vigor em 4 de maio de 2024, mais de um ano antes da abertura do mercado eleitoral brasileiro na Polymarket, em 18 de setembro de 2025.

A norma tem como alvo nominal plataformas como Polymarket e Kalshi, citadas diretamente no texto. Mesmo assim, o bloqueio não encerrou a operação: depois da resolução, os dois sites ficaram inacessíveis a usuários brasileiros em conexões regulares, exigindo VPN para acesso. Veja mais sobre a Resolução CMN 5.298 e seu impacto nos mercados de previsão.

A mesma resolução baniu outras 27 plataformas de mercados preditivos, além da Polymarket e da Kalshi, somando 29 operadoras alcançadas pela norma.

Escalada chega às bets regulamentadas

Cerca de dois anos e cinco meses depois de banir os mercados preditivos sobre eleições, o governo foi além. Em 25 de setembro de 2026, a Medida Provisória 1.394/26 extinguiu toda a indústria de apostas esportivas regulamentadas no país.

As multas previstas na MP chegam a R$ 2 bilhões para quem descumprir a proibição, um valor que mostra o endurecimento da postura do governo em relação ao setor em menos de três anos.

O que ainda é permitido

A norma do CMN mantém permitidos derivativos ligados a referenciais econômico-financeiros, como índices, juros, câmbio e classificações de risco de crédito. A linha divisória está no tipo de evento: contratos sobre resultados políticos ou eleitorais caem na proibição, enquanto os ligados a indicadores de mercado financeiro continuam liberados.

Comparação com os Estados Unidos

  • Eleição presidencial dos EUA (2024): US$ 3,64 bilhões movimentados na Polymarket
  • Donald Trump: US$ 1,5 bilhão em apostas
  • Kamala Harris: US$ 1 bilhão em apostas
  • Joe Biden: US$ 72 milhões em apostas
  • Eleição brasileira até 12/10/2026: cerca de US$ 180,27 milhões

O volume americano foi quase 20 vezes maior que o acumulado até agora no mercado eleitoral brasileiro, mostrando a distância de escala entre os dois mercados, mesmo com o brasileiro crescendo rapidamente nos últimos meses.

Mercados versus pesquisas

“Trust the markets, not the polls”, afirmou o CEO da Polymarket, Shayne Coplan, ao comentar o desempenho da plataforma na disputa entre Trump e Kamala em 2024.

Limite da proibição

Enquanto as bets regulamentadas foram extintas por decreto em setembro, a Polymarket continua fora do ar oficialmente e acessível por VPN, operando acima do que a resolução de 2024 ainda classifica como permitido: apenas derivativos de índices, juros, câmbio e risco de crédito. O volume de US$ 180,27 milhões é o retrato mais recente dessa distância entre a norma e a prática.

Fernanda Kato
Quem escreve: Fernanda Kato
Analista de produto e dados de iGaming. Escreve sobre cassino online, apostas esportivas, loteria e eSports com foco em tecnologia e comportamento do mercado.