US$ 171 milhões. Esse foi o valor que a Polymarket já havia movimentado em apostas sobre a eleição presidencial brasileira até 7 de outubro de 2026. O número veio à tona mesmo com a plataforma proibida de operar no Brasil desde 24 de abril, quando a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, classificou os chamados mercados de previsão como apostas de quota fixa não autorizadas.
A nota técnica
A decisão se baseia na Nota Técnica SPA/MF nº 2958, publicada em abril de 2026. O documento trata da operação ilegal de apostas de quota fixa por provedores de “Prediction Markets”.
Com base nela, o Ministério da Fazenda enviou à Anatel uma lista de 27 plataformas consideradas irregulares, com destaque para Polymarket e Kalshi. A agência já bloqueou o acesso a todas elas no país.
Por que conta como aposta
Na Polymarket, o usuário compra cotas que representam um resultado possível, como a vitória de um candidato em uma eleição. O preço dessas cotas sobe ou desce conforme o comportamento dos próprios apostadores.
Para a SPA, esse mecanismo equivale a uma aposta de quota fixa: o valor pago varia com a demanda, mas o resultado final só paga quem acertou a previsão. É esse enquadramento que sustenta o bloqueio, mesmo sem uma casa de apostas tradicional por trás da plataforma.
Um bloqueio que não bloqueia
Apesar da proibição em vigor desde abril, apostadores brasileiros continuam acessando a plataforma. Segundo a Fazenda, o caminho mais comum é o uso de VPNs e de perfis secundários para contornar a restrição técnica.
O bloqueio determinado à Anatel atua sobre o acesso direto ao site e ao aplicativo. Ele não impede que o usuário troque sua localização virtual ou crie uma conta nova para seguir apostando.
Influenciadores na divulgação
A Polymarket também recorreu a mais de 15 perfis de influenciadores de grande alcance, com dezenas de milhões de seguidores somados, para divulgar apostas sobre as eleições brasileiras.
O perfil oficial da plataforma no Instagram só saiu do ar em 23 de setembro de 2026, a pedido da SPA ao Meta. Entre a proibição de abril e essa remoção, passaram-se cinco meses.
O X fica fora do alcance
A Polymarket também mantém presença ativa no X, antigo Twitter. A rede não integra o Conselho Digital do Brasil, o que dificulta pedidos de remoção de conteúdo por parte do governo.
Os números do crescimento
O volume apostado cresceu rápido entre abril e outubro, mesmo com o bloqueio em vigor desde o início desse período. Os dados mostram a dimensão do avanço.
Em cinco meses, o valor apostado quase triplicou, mesmo com a plataforma oficialmente fora do ar no país desde abril.
- 27 de abril de 2026: US$ 60 milhões apostados na eleição presidencial brasileira
- 7 de outubro de 2026: mais de US$ 171 milhões apostados, quase o triplo do valor de abril
- 27 plataformas incluídas na lista de bloqueio enviada à Anatel pelo Ministério da Fazenda
Publicidade sem aviso
A SPA analisou 656 publicações no Instagram feitas entre maio e agosto de 2026 ligadas à divulgação de apostas da Polymarket no Brasil.
Segundo a secretaria, “nenhuma das publicações analisadas apresentava a sinalização obrigatória de conteúdo publicitário”, segundo apurou a Exame.
O volume apostado na Polymarket segue sendo o principal parâmetro usado pela Fazenda para medir o tamanho do mercado de previsão que tenta bloquear no país.



