O Palmeiras fechou patrocínio de dois anos com a Embracon, administradora de consórcios. A partir de 26 de julho, a marca ocupará o centro da camisa alviverde, na estreia contra o Atlético-MG, pela 20ª rodada do Brasileirão, no Nubank Parque.
O contrato prevê pagamento de R$ 5,5 milhões por temporada ao clube, valor que pode chegar a R$ 10 milhões com bônus por desempenho comercial, segundo apuração do Máquina do Esporte. Além do espaço na camisa, a Embracon assume a administração do consórcio oficial do Palmeiras, função exercida até então pela Ademicon, cujo contrato com o clube foi encerrado.
Com a chegada do novo parceiro, a arrecadação anual do uniforme do Palmeiras soma R$ 221 milhões. A conta reúne os contratos já fechados com Sportingbet (patrocinadora máster, R$ 100 milhões), Puma (fornecedora de material esportivo, R$ 50 milhões), Cimed e Leapmotor (R$ 20 milhões cada), Sil Fios e Cabos Elétricos (R$ 11 milhões), Uniasselvi (R$ 8 milhões), D’Italia Panelas (R$ 4 milhões) e MotoChefe Brasil (R$ 2,5 milhões), de acordo com levantamento do Mkt Esportivo.
Para quem acompanha o mercado de patrocínio esportivo, o acordo chama atenção por um detalhe que vai além do valor. O Palmeiras segue com a Sportingbet como patrocinadora máster, mas amplia o número de marcas de outros setores dividindo espaço no uniforme com a casa de apostas, justamente num momento em que o setor reduz aportes em patrocínio de clubes de futebol.
O Brasileirão 2026 começou com 12 clubes da Série A patrocinados por casas de apostas, queda de 33% frente aos 18 times que tinham esse tipo de contrato em 2025. Um levantamento do Máquina do Esporte publicado no início do ano apontou Bahia, Grêmio, Internacional, Coritiba e Vasco entre os clubes que iniciaram a temporada sem patrocinador máster definido, cenário que se repete de forma ainda mais acentuada na Série B, onde bets também vêm perdendo espaço.
Nesse contexto, a chegada de marcas de segmentos como consórcio, veículos elétricos e educação a distância ao uniforme de um clube grande como o Palmeiras é lida por consultores de marketing esportivo como sinal de um mercado mais aberto a testar outros setores nas cotas de patrocínio, num momento em que operadoras de apostas ficaram mais seletivas com o orçamento de marketing sob pressão regulatória e tributária.
A Embracon já teve uma passagem anterior pela camisa do Palmeiras, em 2014, num clássico contra o Corinthians. A empresa é uma das maiores administradoras de consórcios do país, com produtos voltados a imóveis, veículos e serviços, e vai estampar a marca também nas categorias de base e no time feminino do clube.
A oficialização do acordo dependeu do fim do vínculo entre o Palmeiras e a Ademicon, que administrava o consórcio do clube desde 2024. Segundo apuração de veículos de mercado esportivo, a Embracon cumpriu um período de quarentena de três meses antes de assinar com o clube, prazo comum em disputas comerciais desse tipo entre marcas concorrentes no mesmo segmento.
Para fornecedores e agências que atuam com patrocínio esportivo, o movimento do Palmeiras reforça uma leitura recorrente entre consultores do setor neste ano: clubes de ponta seguem conseguindo reunir múltiplos patrocinadores de segmentos variados no mesmo uniforme, enquanto times de menor porte penam para repor o espaço deixado por casas de apostas que recuaram diante do custo mais alto de operar no mercado regulado brasileiro.



