A VBet pagava R$ 55 milhões por ano ao Botafogo, valor que podia chegar a R$ 70 milhões com bônus, em contrato de três temporadas válido até o fim de 2027. Com a saída da marca, o espaço no peito do uniforme de treino passou a ser ocupado pela marca do Camisa 7, programa de sócio-torcedor do clube, em vez de um novo patrocinador pago.
Saída rápida da bet
O Botafogo foi um dos clubes mais rápidos na adequação à nova regra. Retirou a VBet do site oficial, da loja virtual e das redes sociais, e passou a usar uniformes sem marca de apostas.
A mudança decorre da Medida Provisória 1.394/2026, assinada pelo presidente Lula em 25 de setembro. A norma proibiu logos de casas de apostas nos uniformes do futebol, com prazo de adequação até 23h59 de 5 de outubro.
A partir dessa data, nenhum clube profissional poderia mais estampar marca de bet na camisa.
De onde vem o Camisa 7
O nome do programa foi escolhido pelos próprios torcedores, em processo de seleção promovido pelo clube. A referência é ao número icônico que trouxe glórias à história alvinegra.
O Camisa 7 não é novidade. Foi lançado em 15 de junho de 2021, em transmissão pela BotafogoTV, com o presidente Durcesio Mello e o CEO Jorge Braga apresentando os planos aos sócios.
“Com muita satisfação, lançamos hoje o novo programa de sócio-torcedor do Botafogo”, disse Mello na ocasião.
Jorge Braga completou: “O novo programa é fruto dessa visão de inovação, de mais serviços, de escutar a torcida.”
Os planos
As mensalidades do Camisa 7 vão de R$ 19,90 a R$ 149,90 por mês, do plano de entrada ao mais completo. Só o plano mais caro, batizado de Glorioso, dá direito a voto nas eleições do clube, benefício que só pode ser exercido depois de dois anos de associação ininterrupta.
- R$ 19,90 por mês no plano de entrada
- R$ 149,90 por mês no plano Glorioso, único com direito a voto após dois anos de associação ininterrupta
Catorze clubes, caminhos diferentes
Catorze dos 20 clubes da Série A tinham contrato com bets e precisaram buscar solução. Apenas seis não tinham vínculo com apostas: Bahia, Mirassol, Athletico-PR, RB Bragantino, Internacional e Coritiba.
Cada clube seguiu um caminho próprio. O Brasileirão voltou com uniformes sem marca de apostas, mas as soluções variaram de clube para clube.
O Flamengo retirou a Betano das plataformas digitais e dos uniformes de treino, mas manteve estoque com a marca na loja. O Atlético-MG treinou sem a H2bet a partir de 5 de outubro, e o Palmeiras adotou solução híbrida à espera de decisão judicial sobre a Sportingbet.
Nenhum dos três, porém, usou o espaço livre para divulgar um programa próprio de sócio-torcedor, como fez o Botafogo.
O Vasco seguiu lógica semelhante à do Botafogo. Reaproveitou o espaço deixado pela Sportingbet para divulgar o Sócio Gigante, seu próprio programa de sócio-torcedor.
Prazo no Congresso
A medida provisória que baniu as bets dos uniformes ainda não é lei permanente. O Congresso tem até 120 dias para aprová-la.
Até lá, a proibição vale, mas seu futuro segue dependendo do aval dos parlamentares. Enquanto isso, clubes como o Botafogo seguem sem o patrocínio bilionário que as bets representavam no Brasileirão.
Próximo passo
Por ora, a marca do Camisa 7 está restrita ao uniforme de treino. Mas pode aparecer também no uniforme de jogo no clássico contra o Vasco, caso o clube decida levar a solução adotada nos treinos para a partida oficial.



