A Vivo Keyd Stars anunciou, em 30 de setembro de 2026, a pausa indefinida do seu projeto de Counter-Strike 2 e a liberação integral do elenco, duas semanas depois de o patrocinador principal da equipe, a EstrelaBet, ter sido atingido pela proibição federal das casas de apostas. Ao justificar a decisão, a organização citou, em nota, “mudanças recentes no modelo competitivo do cenário e no ambiente comercial e regulatório do país”, uma referência direta ao texto da Medida Provisória que reconfigurou da noite para o dia o mapa de patrocínios do CS2 brasileiro.
O presidente Lula assinou a Medida Provisória nº 1.394 em 25 de setembro de 2026, proibindo em todo o território nacional a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa, e o texto abriu um prazo de apenas dez dias para que marcas, propagandas e patrocínios ligados às bets fossem retirados de circulação, com vencimento em 5 de outubro. Além de encerrar as autorizações de operação já concedidas e obrigar a devolução de saldos e prêmios aos apostadores até a mesma data, com sites e aplicativos fora do ar a partir de 6 de outubro, a norma instituiu um Comitê Interinstitucional responsável por bloquear domínios, remover aplicativos das lojas virtuais e restringir meios de pagamento, com sanções que podem chegar a R$ 2 bilhões para as empresas que descumprirem as regras.
A LOUD seguiu caminho semelhante ao da Keyd Stars e deixou o Counter-Strike 2, dispensando um elenco que havia contratado mas que nunca chegou a anunciar oficialmente em competição, um desfecho que mostrou como a saída de patrocinadores pôde interromper projetos de CS2 ainda em fase de montagem.
FURIA, MIBR e Fluxo W7M optaram por um caminho distinto ao remover os patrocínios de bets de parte ou da totalidade das comunicações de suas equipes de CS2, sem interromper a operação competitiva. No caso da FURIA, a mudança atingiu um contrato de dois anos firmado em 1º de outubro de 2025 com a BetBoom, que estampava a marca no ombro esquerdo do uniforme e tinha o ex-jogador FalleN como embaixador; o acordo previa vigência até outubro de 2027, mais de um ano além do prazo em que a MP obrigou a retirada da marca, já em outubro de 2026.
Legacy e Imperial, por sua vez, continuavam exibindo os patrocinadores Rainbet e Gamdom, respectivamente, mesmo depois de iniciado o prazo de retirada determinado pela MP, uma situação que expôs o descompasso entre o calendário legal e a velocidade de reação das organizações. A própria BetBoom, que detinha direitos ou patrocínio de transmissão no Brasil para competições como BLAST, PGL e eventos da ESL FACEIT Group, ficou impedida de fazer qualquer publicidade dirigida ao público brasileiro, o que reduziu sua capacidade de converter a presença nas transmissões em exposição comercial legal dentro do país.
O impacto já havia sido antecipado em outra frente do debate regulatório, quando a CCT do Senado aprovou o fim da publicidade de apostas esportivas e abriu uma disputa sobre patrocínio a clubes meses antes da assinatura da MP 1.394. No Congresso, o prazo para apresentação de emendas à medida foi prorrogado até 13 de outubro de 2026, sem data de votação em plenário ainda definida; a MP passa a trancar a pauta a partir de 9 de novembro e perde validade se não for votada até 23 de novembro de 2026, um calendário que mantém o setor de eSports sob a mesma incerteza regulatória que já reconfigurou patrocínios, elencos e uniformes do CS2 brasileiro em menos de um mês.
Ao comentar a própria saída do time, o técnico da LOUD, Pablo “disturbed” Fernandes, resumiu o momento em uma frase: “I’m coming to announce that I’m FA and without a contractual tie (thanks to our president).”



