A World Series of Poker (WSOP) confirmou que não vai usar o shot clock na mesa final do Main Event 2026, revertendo uma regra que a própria organização havia colocado em vigor dias antes. O aviso saiu do perfil oficial da WSOP nas redes sociais na noite de quinta-feira, 30 de julho, poucos dias antes do início da fase decisiva do torneio, em Las Vegas.
O relógio de decisão de 20 segundos havia sido implantado a partir do sétimo dia de disputa, numa tentativa de acelerar mãos travadas por jogadores que demoravam demais para agir. O gatilho foi um caso específico: o profissional Loren Klein levou cerca de 15 minutos para decidir uma jogada em busca de sobreviver até o próximo salto de premiação, episódio amplamente comentado no circuito.
Poucos dias depois, a WSOP recuou. Em comunicado, a organização disse que, “após conversas com jogadores e a equipe do torneio, tomamos a decisão coletiva de não usar shot clock na mesa final do Main Event da WSOP na próxima semana”. A entidade acrescentou que jogadores ainda podem pedir o relógio manualmente contra adversários considerados lentos, e que a arbitragem mantém o direito de reintroduzir o cronômetro caso a demora volte a prejudicar o ritmo de jogo.
Segundo a WSOP, o objetivo é “criar o ambiente de jogo mais natural possível, dando aos jogadores o tempo que precisam para tomar as maiores decisões do torneio”. A mesa final, com nove jogadores, começou na segunda-feira, 3 de agosto, com transmissão ao vivo pela ESPN, e segue até 5 de agosto.
A reação no meio profissional dividiu opiniões. Alguns jogadores elogiaram o recuo, caso do veterano Barny Boatman, que escreveu nas redes: “parabéns por uma decisão muito boa”. Outros criticaram menos a decisão em si e mais o momento em que ela foi tomada, às vésperas da etapa mais importante do calendário. A queixa recorrente entre os críticos foi a inconsistência de mudar uma regra no meio da competição.
O Main Event 2026 reuniu 9.208 inscrições, com buy-in de US$ 10 mil, e paga US$ 10 milhões ao campeão, segundo dados divulgados pela própria WSOP. Nenhum brasileiro chegou à mesa final. O melhor resultado nacional foi de Arthur Campos, eliminado em 125º lugar, com prêmio de US$ 65 mil, à frente de outros três compatriotas caídos no mesmo dia de disputa. Casos de brasileiros premiados em edições passadas da WSOP, como a bolada de US$ 1 milhão paga de bounty a Patrick Liang no Mystery Millions de 2023, ajudam a explicar por que o Main Event segue no radar do público nacional mesmo sem representante na mesa final deste ano.
Para o mercado de apostas e entretenimento ligado ao poker, episódios como esse importam além da mesa. O Main Event é a principal vitrine anual do jogo e referência para casas, clubes e plataformas que vendem satélites e pacotes de classificação para o torneio, inclusive no Brasil, onde o WPT e o BSOP mantêm calendário próprio, com etapas como o BSOP Winter em São Paulo, e usam a repercussão do evento americano para atrair jogadores. Consistência nas regras de um torneio desse porte é parte do que sustenta a credibilidade comercial em torno dele, algo que operadores locais observam de perto ao estruturar suas próprias competições.
Por ora, a WSOP não detalhou publicamente o motivo exato que levou à reversão, além de citar as conversas com jogadores e equipe de torneio. A organização também não indicou se o shot clock será usado em edições futuras do Main Event.



