O Campeonato Brasileiro Série A 2026 começou com 12 clubes estampando patrocínio máster de bets nas camisas, uma queda de 33% frente aos 18 clubes patrocinados na temporada anterior.
Vasco, Grêmio, Internacional, Coritiba, Bahia e Santos encerraram os contratos com casas de apostas e não anunciaram substitutos para o espaço máster. Do outro lado, seguem patrocinados Botafogo (Vbet), Fluminense (Superbet), Chapecoense (ZeroUm), Athletico-PR (Viva Sorte Bet), Corinthians (Esportes da Sorte), Palmeiras (Sportingbet), São Paulo (Superbet), Atlético-MG (H2bet), Cruzeiro (Betnacional), Vitória (7k), Remo (Vaidebet) e Flamengo (Betano).
Bebidas ocupam o espaço deixado pelas apostas
Enquanto seis clubes tradicionais romperam com patrocinadores de apostas, Red Bull Bragantino e Mirassol optaram por marcas de bebidas para estampar o centro da camisa, com Red Bull e Guaraná Poty assumindo o espaço máster sem qualquer vínculo com bets.
No caso paulista, a Superbet reforçou a aposta no patrocínio ao São Paulo, mesma marca que estampa a camisa do Fluminense.
O contrato que puxa a média para cima
O acordo do Flamengo com a Betano é o maior patrocínio máster da história do futebol brasileiro, avaliado em cerca de R$ 268 milhões por temporada e válido até dezembro de 2028, valor que a ISTOÉ Dinheiro e a ESPN Brasil registraram como R$ 268,5 milhões.
Convertido em euros, o contrato soma R$ 895 milhões em pagamentos fixos ao longo de três anos e quatro meses e figura entre os dez a doze maiores patrocínios máster do futebol mundial, à frente de clubes como Milan e Internazionale, segundo diferentes reportagens do mercado esportivo que acompanharam a negociação junto à ESPN Brasil. O valor anual pago ao Flamengo supera em mais do que o dobro os valores pagos pelas bets patrocinadoras de Corinthians e Palmeiras, os concorrentes mais próximos no ranking de patrocínio máster do país.
Guilherme Figueiredo, diretor comercial da Betano no Brasil, explicou por que a empresa fechou o maior contrato do futebol nacional justamente quando outras bets recuavam do espaço máster: “Claro que o tamanho da torcida influencia. Mais do que o tamanho, a própria distribuição dela pelo país é muito relevante. Sem contar que o Flamengo tem um reconhecimento que não fica só no Brasil, ele é mundial. Fechamos o negócio pensando em toda a América Latina, na Europa e outros lugares.”
Correção de mercado, não recuo
Bets pagaram, nos últimos anos, mais do que as cotas de patrocínio realmente justificavam, e a queda no número de clubes patrocinados reflete um ajuste natural do mercado, segundo Amir Somoggi, da consultoria Sports Value.
Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, explicou que a regulamentação mais clara e o aumento de impostos levaram as bets a adotar critérios de investimento mais seletivos, priorizando eficiência à visibilidade em massa, tendência apontada em reportagem da ISTOÉ Dinheiro.
Em 2025, as bets investiram mais de R$ 1 bilhão em clubes brasileiros, mas a tributação de 13% sobre a receita das apostas e as exigências regulatórias começaram a desacelerar novos investimentos no ano seguinte.
O Campeonato Brasileiro Série A 2026 começou em 28 de janeiro e termina em 2 de dezembro, com 20 clubes na disputa.



