Urgente Ouvidoria das bets: governo prepara novas regras
Aposta Esportiva

Grêmio soma sete meses sem patrocínio máster de bets

Grêmio e Fortaleza completam sete meses sem patrocinador máster de bets na camisa, reflexo da retração do setor sob nova tributação.

Por Rodrigo Salgado 22 de julho 4 min de leitura
Resumo Grêmio e Fortaleza completam sete meses sem patrocinador máster de bets na camisa, reflexo da retração do setor sob nova tributação.
Arena do Grêmio lotada durante partida do Brasileirão
Arena do Grêmio, em Porto Alegre. Foto: ElFerno, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

O espaço mais valioso do uniforme do Grêmio segue vazio. Desde a rescisão do contrato com a Alfa Bet, no fim de 2025, o clube gaúcho completa sete meses sem fechar um novo patrocinador máster, segundo levantamento da BNLData publicado em 16 de julho. A única exceção no período foi uma ocupação temporária da EnergiaBet, que comprou o espaço por apenas duas partidas do Brasileirão.

Nos primeiros seis meses de 2026, o CEO Alex Leitão conduziu as negociações à frente do departamento comercial. Propostas de bets chegaram à mesa, mas foram recusadas por trazerem valores entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões anuais, patamar considerado insuficiente pela diretoria. A meta é aproximar-se dos cerca de R$ 50 milhões anuais que a Alfa Bet havia se comprometido a pagar antes de atrasar três parcelas seguidas e descumprir o acordo judicial firmado para quitar a dívida. O presidente Alberto Guerra rompeu o vínculo ainda no primeiro ano de um contrato que previa três temporadas.

A gestão descreve o momento como de mercado “retraído”. Isso porque as casas de apostas, que dominaram os investimentos em patrocínio esportivo nos últimos anos, esbarram agora em tributação mais alta sobre a receita bruta e em legislação mais restritiva, o que reduz a capacidade de aporte em publicidade. Some-se a isso a Copa do Mundo, que concentrou orçamentos de marketing das bets em ações globais e deixou o futebol de clubes em segundo plano durante o torneio.

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O caso gremista não é isolado. O Fortaleza, rebaixado à Série B ao fim de 2025, chegou à mesma marca de sete meses sem patrocinador máster na camisa. A última empresa a ocupar o espaço foi a Cassino Bet, na derrota para o Botafogo por 4 a 2, em 7 de dezembro, partida que fechou a participação do time na Série A daquele ano. Ao ge, o gerente comercial do Fortaleza EC SAF, Victor Simpson, afirmou que o problema não é exclusivo do clube cearense e que outras equipes da própria Série B enfrentam a mesma dificuldade para fechar contratos másteres.

“As empresas ainda acompanham os desdobramentos da regulamentação do setor e os possíveis impactos futuros sobre o ambiente regulatório e tributário. Além disso, o contexto da Copa do Mundo concentra grande parte dos investimentos dessas empresas em ações globais”, disse Simpson. O dirigente destacou que o clube segue em conversas com empresas de diferentes segmentos, entre elas casas de apostas, e que busca um contrato compatível com a relevância da marca Fortaleza no futebol brasileiro.

O retrato ajuda a dimensionar quanto o apetite das bets por patrocínio esportivo mudou de fevereiro para cá. O Brasileirão 2026 começou com seis clubes de Série A sem patrocinador máster estampado na camisa: Santos, Grêmio, Internacional, Vasco, Bahia e Coritiba, segundo levantamento da revista Placar baseado em dados da Máquina do Esporte. Em 2025, apenas o Red Bull Bragantino ficava fora dessa lista, já que o espaço é ocupado pela própria marca de energéticos controladora do clube. Do grupo de seis, um já resolveu a pendência: o Vasco encaminhou acordo com a Sportingbet, com contrato válido até 2027.

A tributação de 12% a 15% sobre a receita bruta das casas de apostas, criada no bojo da regulamentação do setor, aparece como o fio condutor mais citado pelos próprios clubes para explicar o recuo. Um diretor de marketing de um clube de Série A, ouvido sem identificação pela reportagem da Máquina do Esporte, resumiu o impasse: fora das bets, poucos segmentos se dispõem a pagar valores parecidos, e as próprias casas de apostas hoje oferecem menos do que ofereciam há um ano.

Para o Grêmio, a equação também envolve prazo. A diretoria pretende um vínculo de quatro a cinco anos, o que exige garantias financeiras que nem sempre as bets em fase de ajuste fiscal conseguem oferecer com a mesma folga de dois anos atrás. O episódio da Alfa Bet, que deixou dívida também com o Internacional, reforçou a cautela do clube na hora de assinar um novo contrato de longo prazo com uma casa de apostas. A cota máster à parte, o departamento comercial gremista não ficou parado: o clube fechou 11 contratos de patrocínio em 2026, seis deles inéditos, somando R$ 150 milhões em receita publicitária, sinal de que a busca é por um parceiro específico para o espaço principal, não por patrocínio em geral.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.
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