Urgente Portaria fixa três avisos obrigatórios em bets
Casas de Apostas

Apostas: arrecadação federal salta quase 80% até julho

Governo arrecadou R$ 8,747 bi com bets de janeiro a julho, alta de quase 80%, em ritmo que já se aproxima do total fechado de 2025.

Por Rodrigo Salgado 30 de agosto 5 min de leitura
Resumo Governo arrecadou R$ 8,747 bi com bets de janeiro a julho, alta de quase 80%, em ritmo que já se aproxima do total fechado de 2025.
Fachada da Agência da Receita Federal em Campo Maior, Piauí, com letreiro azul 'Receita Federal – Ministério da Fazenda' (Foto de arquivo: fachada de agência da Receita Federal em Campo Maior (PI), 2017, imagem meramente ilustrativa.)
Foto de arquivo: fachada de agência da Receita Federal em Campo Maior (PI), 2017, imagem meramente ilustrativa. (Foto: Academia de letras de CM CC BY-SA 4.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ag%C3%AAncia_da_Receita_Federal_de_Campo_Maior,_Piau%C3%AD,_Brasil.JPG)

Para o mercado de apostas esportivas, os números divulgados pela Receita Federal em 25 de agosto confirmam, com dados oficiais, algo que operadores e consultorias já vinham acompanhando de perto desde o início do ano: o país arrecadou R$ 8,747 bilhões em tributos sobre jogos e apostas entre janeiro e julho de 2026, um salto de quase 80% sobre o mesmo período de 2025. O dado consolida a expansão acelerada da base tributária do setor, num momento em que a regulamentação completa das bets já opera há mais de um ano, e reforça a leitura de que o exercício de 2026, quando fechado, deve superar com folga o total recolhido no ano anterior.

Isoladamente, julho trouxe R$ 1,46 bilhão aos cofres públicos com bets e loterias, de acordo com levantamento da CNN Brasil, que também apurou os números fechados do semestre anterior. De janeiro a junho, a arrecadação com a tributação das apostas já somava R$ 7,3 bilhões, ante R$ 3,8 bilhões no mesmo intervalo de 2025, avanço de 90,76% que deu o tom do que se confirmaria nos meses seguintes, compondo um quadro de crescimento contínuo rumo a um ano de arrecadação recorde para o setor regulado.

Parte da explicação para o salto está na própria engenharia tributária das apostas de quota fixa. A alíquota do imposto sobre o GGR (Gross Gaming Revenue), que era de 12% em 2025, subiu em 2026 e segue em trajetória de escalonamento programado para os próximos anos, desenho que amplia progressivamente, ano após ano, a fatia capturada pelo Fisco sobre cada real apostado líquido de premiação.

O contraste histórico ajuda a dimensionar a mudança de patamar vivida pelo setor em pouco mais de dois anos. Em 2025, ano de estreia da regulamentação plena das apostas, o setor recolheu R$ 9,95 bilhões em tributos no país ao longo de todo o ano fechado, considerando a alíquota do período sobre o GGR somada a IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Até julho de 2026, o acumulado já se aproxima da totalidade daquele total anual, com cinco meses ainda pela frente no calendário fiscal. Até julho de 2025, por sua vez, a arrecadação com jogos de azar e apostas somava R$ 4,7 bilhões, pouco mais da metade do que já havia sido acumulado até julho deste ano, evidência de que a base de recolhimento praticamente dobrou de um ano para o outro.

A comparação mês a mês reforça o quanto a regulamentação mudou o patamar de arrecadação em pouco tempo. Em julho de 2025, a arrecadação de jogos de azar somou R$ 928 milhões, ante apenas R$ 8 milhões em julho de 2024, salto de mais de cem vezes que já sinalizava, um ano atrás, a virada que o setor viveria depois da entrada em vigor das regras de licenciamento. Esse pano de fundo sustenta a leitura de que a arrecadação de bets se consolidou como linha relevante nas contas públicas, em movimento que caminha em paralelo à expansão de empregos no setor, como mostrou reportagem anterior do Giro do Mercado sobre a geração de vagas nas casas de apostas licenciadas.

O resultado da linha de bets apareceu, além disso, dentro de um quadro fiscal federal mais amplo. Em julho, a arrecadação total da Receita Federal somou R$ 289,346 bilhões, alta real de 8,97% sobre julho de 2025, valor que superou a mediana das projeções de mercado levantadas pela pesquisa Broadcast, de R$ 284,6 bilhões, com estimativas que iam de R$ 266,9 bilhões a R$ 288,6 bilhões. No mesmo mês, a Receita Social do IOF somou R$ 8,169 bilhões, alta real de 19,35%, enquanto a Contribuição Previdenciária, ligada à Receita da Seguridade Social, chegou a R$ 64,215 bilhões, alta real de 5,50%.

O anúncio de julho, porém, não seguiu o rito habitual do órgão. A Receita Federal havia sinalizado que comentaria oficialmente o resultado do mês em uma data específica, mas os números acabaram publicados no site do órgão sem aviso prévio, antes do evento programado, segundo apurou o InfoMoney. O episódio não alterou a magnitude dos números, mas chamou atenção de quem acompanha de perto o calendário fiscal do setor de apostas e das demais fontes de arrecadação federal.

Questionada sobre até que ponto o aumento de alíquotas explica sozinho o resultado, a Receita Federal fez questão de relativizar a atribuição de causa única ao movimento observado nos sete primeiros meses do ano. “Não é correto concluir que todo o aumento da arrecadação tenha decorrido do aumento de alíquotas, pois outros fatores podem influir no desempenho das receitas”, afirmou o órgão.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.