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Brasil fecha 2025 com R$ 37 bi e entra no top 5 mundial

Mercado regulado de apostas soma R$ 37 bilhões em GGR no primeiro ano completo de regras federais e coloca o país entre os cinco maiores do mundo.

Por Rodrigo Salgado 15 de agosto 4 min de leitura
Resumo Mercado regulado de apostas soma R$ 37 bilhões em GGR no primeiro ano completo de regras federais e coloca o país entre os cinco maiores do mundo.
Estádio Teddy, em Jerusalém, com patrocínio da loteria esportiva toto; imagem meramente ilustrativa, sem relação direta com o mercado brasileiro de apostas (Foto de arquivo: Estádio Teddy, em Jerusalém, com patrocínio da loteria esportiva toto, imagem meramente ilustrativa, sem relação direta com o mercado brasileiro de apostas.) (Foto de arquivo: Estádio Teddy, em Jerusalém, com patrocínio da loteria esportiva toto, imagem meramente ilustrativa, sem relação direta com o mercado brasileiro de apostas.) (Foto de arquivo: Estádio Teddy, em Jerusalém, com patrocínio da loteria esportiva toto, imagem meramente ilustrativa, sem relação direta com o mercado brasileiro de apostas.)
Foto de arquivo: Estádio Teddy, em Jerusalém, com patrocínio da loteria esportiva toto — imagem meramente ilustrativa, sem relação direta com o mercado brasileiro de apostas. (Foto: Little Savage Public domain via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Teddy_Stadium13.jpg)

Nos primeiros dias de janeiro de 2026, quando a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) reuniu os números do primeiro ano inteiro de mercado regulado, uma cifra resumiu o tamanho do que havia sido construído desde que as apostas de quota fixa passaram a operar plenamente sob regras federais, em 1º de janeiro de 2025: o setor fechou 2025 com R$ 37 bilhões em receita bruta de jogo, o chamado GGR, acumulados ao longo dos doze meses em que bets deixaram de operar em uma zona cinzenta para responder a um órgão regulador dedicado. O valor consolida, pela primeira vez, um balanço anual completo do segmento desde que a licença federal se tornou obrigatória para operar no país.

Vale lembrar que GGR não é o mesmo que volume apostado, já que representa apenas o resultado do total apostado menos os prêmios pagos aos apostadores ao longo do ano, o que explica por que a cifra de R$ 37 bilhões, embora expressiva, é sensivelmente menor do que o montante total movimentado nas plataformas licenciadas. É esse recorte, e não o giro bruto de apostas, que serve de referência para calcular tributos e para comparar o Brasil com outros mercados regulados ao redor do mundo.

Nessa comparação internacional, o Brasil deve fechar 2025 como o 5º maior mercado de apostas do mundo, com faturamento estimado em US$ 4,139 bilhões segundo a consultoria Regulus Partners, a primeira vez que o país aparece nesse ranking global. À frente dos brasileiros aparecem apenas Estados Unidos, com US$ 17,3 bilhões, Reino Unido, com US$ 9,9 bilhões, Itália, com US$ 4,6 bilhões, e Rússia, com US$ 4,5 bilhões, todos com faturamento superior ao registrado por aqui em um único ano de regulamentação plena.

Ao longo de 2025, 79 empresas estiveram autorizadas a operar legalmente no país, um universo de licenças que gerou cerca de R$ 2,5 bilhões em taxas de outorga e mais R$ 95,5 milhões em taxas de fiscalização aos cofres públicos, segundo o balanço oficial da SPA. Esses valores de outorga se somam à arrecadação corrente do setor, que soma outra frente relevante de receita para o governo federal ao longo do ano regulado.

Na tributação sobre o resultado das apostas, o setor recolheu cerca de R$ 9,95 bilhões em impostos federais com a alíquota de 12% sobre o GGR, além de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recolhidos separadamente pelas operadoras. Essa alíquota, no entanto, começa a subir de forma escalonada a partir de agora, passando para 13% em 2026, 14% em 2027 e 15% em 2028, e a própria elevação de um ponto percentual já em 2026 deve gerar cerca de R$ 850 milhões a mais em arrecadação para a União.

Do lado dos apostadores, 25,2 milhões de brasileiros apostaram nas plataformas legais ao longo de 2025, um público majoritariamente masculino, formado por 68,3% de homens e 31,7% de mulheres, com a faixa de 31 a 40 anos concentrando 28,6% dos usuários e a de 18 a 24 anos respondendo por 22,7%. Paralelamente a esse crescimento da base licenciada, mais de 25 mil sites de apostas ilegais foram bloqueados em parceria com a Anatel ao longo do ano, um esforço de fiscalização que a SPA credita à recepção de dados que passou a existir com a regulamentação.

O primeiro ano completo de regras também trouxe as primeiras ferramentas de proteção ao apostador em escala nacional: mais de 217 mil brasileiros pediram autoexclusão de apostas já nos primeiros 40 dias de operação da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, lançada em dezembro de 2025. Entre os motivos declarados, 37% dos pedidos citaram “perda de controle sobre o jogo/saúde mental” como razão principal, enquanto 73% optaram por bloqueio por prazo indeterminado e outros 19% escolheram um afastamento de um ano das plataformas.

O setor também deixou marca no mercado de trabalho, com geração de 10 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos no país ao longo de 2025, segundo o mesmo balanço oficial da SPA. Ao comentar o primeiro ano de supervisão do segmento, o secretário Regis Dudena resumiu o que a regulamentação passou a permitir: “Houve a recepção de dados, que permitem conhecer o setor, de forma objetiva, além de se ter ferramentas de monitoramento para acompanhar o cumprimento das regras criadas.”

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.