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Faturamento das bets sobe 23% ao ano, aponta FecomercioSP

PCSS da FecomercioSP mostra alta de 23,1% no faturamento das bets e revela que 35% dos paulistanos apostam para tentar aumentar a renda.

Por Rodrigo Salgado 18 de setembro 4 min de leitura
Resumo PCSS da FecomercioSP mostra alta de 23,1% no faturamento das bets e revela que 35% dos paulistanos apostam para tentar aumentar a renda.
Fachada do Theatro Municipal de São Paulo, cidade-sede da FecomercioSP (Foto de arquivo: Theatro Municipal de São Paulo, imagem ilustrativa da cidade-sede da FecomercioSP, sem relação direta com apostas.)
Foto de arquivo: Theatro Municipal de São Paulo, imagem ilustrativa da cidade-sede da FecomercioSP, sem relação direta com apostas. (Foto: Wilfredor CC0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Teatro_Municipal_de_S%C3%A3o_Paulo_8.jpg)

No fechamento do primeiro trimestre de 2026, o faturamento das plataformas de apostas esportivas e de cassino online acumulou alta de 23,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), conduzida pela FecomercioSP. O avanço, medido mês a mês desde janeiro, confirma que o setor segue em trajetória de expansão contínua no estado de São Paulo, ainda que a um ritmo distinto do observado no início do ano. Somente em março, o faturamento bruto das plataformas somou R$ 1,7 bilhão, um salto de 27,3% sobre os R$ 1,4 bilhão registrados em março de 2025. Em janeiro, o crescimento havia sido ainda mais expressivo, com o faturamento chegando a R$ 2,2 bilhões, alta de 44,4% ante os R$ 1,5 bilhão do mesmo mês do ano anterior.

A FecomercioSP atribui o desempenho à digitalização do consumo, à consolidação do Pix como principal meio de pagamento instantâneo nas transações do setor e à alta recorrência de uso das plataformas via celular. Para a entidade, o setor de apostas já configura, em suas palavras, “um mercado relevante, com reflexos econômicos, regulatórios e sociais crescentes”, uma leitura que ajuda a explicar por que o comportamento do apostador paulistano passou a integrar o radar de pesquisas do próprio setor de serviços. É nesse cruzamento entre o número comercial e o perfil de quem aposta que a entidade encontrou um dado que extrapola a simples economia das plataformas.

Levantamento complementar da FecomercioSP, realizado entre 4 e 8 de maio de 2026 com 600 entrevistados, mostrou que 35% dos paulistanos apostam em plataformas online com o objetivo de aumentar a renda familiar, dez pontos percentuais a mais que os 25% registrados em 2024. Metade dos moradores de São Paulo, 50%, aposta com frequência, e 7% dos entrevistados reconhecem ter dependência de apostas.

Pix e vulnerabilidade financeira

O recorte por gênero reforça a leitura social do dado: caso deixassem de apostar, mulheres indicariam prioritariamente o dinheiro para itens essenciais, com 18% destinando o valor ao mercado e outros 18% ao pagamento de contas, proporção superior aos 11% e 13% registrados entre os homens. Ainda assim, a maior parte dos apostadores mantém um padrão de gasto contido, já que 54% afirmam gastar menos de R$ 50 por mês em apostas online, e 26% dizem que guardariam o dinheiro caso não apostassem, ante 19% em 2024. Parte dos entrevistados, porém, já recorre a saídas mais drásticas para sustentar o hábito: 12% dos apostadores afirmam já ter buscado ajuda financeira para continuar jogando, 5% pediram dinheiro emprestado a amigos ou familiares e 4% recorreram a empréstimo bancário.

O Pix aparece como elo entre o crescimento do faturamento e a rotina do apostador, já que 96% dos entrevistados afirmam usar a ferramenta como forma de pagamento nas plataformas, o que ajuda a explicar por que a FecomercioSP volta a citar o instrumento como motor da expansão do setor. Estimativas do Banco Central citadas pela entidade apontam que o fluxo mensal de Pix destinado a plataformas de apostas oscilou entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões ao longo de 2024, um volume que dá dimensão ao tamanho da movimentação financeira por trás dos números trimestrais divulgados agora.

O quadro nacional ajuda a situar o resultado paulistano. Em 2025, primeiro ano completo do mercado regulado de apostas no país, o setor registrou R$ 36,96 bilhões em receita bruta de jogos (GGR), com 25,2 milhões de CPFs únicos apostando em plataformas autorizadas e 100,8 milhões de contas ativas espalhadas pelo país. O resultado dá sequência ao crescimento já registrado em reportagem anterior sobre as bets de São Paulo, e junta duas pontas do mesmo fenômeno: o faturamento em expansão de um lado, o apostador em busca de renda extra do outro.

“Pessoas em situação de vulnerabilidade financeira têm recorrido cada vez mais a esse tipo de consumo de risco, como uma maneira de superar as condições difíceis do orçamento”, resume a FecomercioSP ao analisar o comportamento do apostador paulistano por trás do salto de faturamento do setor.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.