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Fluminense e São Paulo levam Superscore ao uniforme

Fluminense estreia a Superscore como patrocinadora máster contra o Coritiba; São Paulo repete a troca após nova regra para bets.

Por Rodrigo Salgado 9 de outubro 4 min de leitura
Resumo Fluminense estreia a Superscore como patrocinadora máster contra o Coritiba; São Paulo repete a troca após nova regra para bets.
Arquibancada do Maracanã tomada por torcedores do Fluminense em meio a serpentinas brancas, com faixa tricolor ao fundo (Foto de arquivo: torcida do Fluminense no Maracanã, sem relação com jogo específico.)
Foto de arquivo: torcida do Fluminense no Maracanã, sem relação com jogo específico. (Foto: Alexandre Pinheiro CC BY-SA 3.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fluminense-torcida.jpg)

Quando o Fluminense entrar em campo contra o Coritiba nesta quinta-feira (8/10/2026), às 21h30, pela rodada do Campeonato Brasileiro, o uniforme tricolor vai estampar, na posição de patrocinador máster, uma marca que não existia nas prateleiras comerciais do clube até poucos dias atrás. O nome é Superscore, e ele chega ao peito da camisa justamente no momento em que a Medida Provisória nº 1.394/2026, responsável por criar novas regras para apostas de quota fixa no Brasil e que ainda está em análise no Congresso Nacional, pressiona clubes e casas de apostas a repensar a forma como suas marcas aparecem nos uniformes do futebol brasileiro. O São Paulo caminha na mesma direção: segundo apuração do Terra, o clube paulista também vai substituir a logo da Superbet pela da Superscore em seu uniforme, repetindo o movimento que o Fluminense anunciou em comunicado oficial nesta semana.

A manobra configura, na prática, uma engenharia contratual: o grupo que controla a Superbet preserva o contrato, o valor pago ao clube e a posição de destaque na camisa, mudando apenas o nome e a logomarca expostos ao público para se adequar às novas restrições. É esse desenho que permite a Fluminense e São Paulo continuar recebendo o mesmo dinheiro de apostas sem que a marca Superbet apareça literalmente no tecido da camisa.

Superscore é apresentada, no comunicado do Fluminense e na reportagem da CartaCapital sobre o acordo, como um aplicativo gratuito de inteligência esportiva e dados estatísticos de futebol em tempo real, que não veicula publicidade, odds ou sugestões de apostas, o que a diferencia, ao menos no papel, das casas de apostas tradicionais que ocupavam esse espaço na camisa até então. A marca, porém, pertence ao mesmo grupo econômico da Superbet e atua como parceira global da casa de apostas, vínculo que explica por que seu nome pôde ocupar exatamente o espaço antes reservado à grife de apostas no uniforme dos dois clubes. Tanto no Fluminense quanto no São Paulo, os contratos de patrocínio com a Superbet continuam formalmente em vigor, e nenhum dos dois acordos foi rescindido até o momento. Na prática, o que mudou foi a logo visível ao torcedor durante as transmissões dos jogos, não a estrutura jurídica que sustenta o dinheiro por trás dela.

Por trás da troca de nome está um contrato de peso. Segundo levantamento do Soccerway sobre os termos do acordo, o contrato do Fluminense com a Superbet prevê pagamento fixo de R$ 42 milhões por temporada, podendo chegar a R$ 52 milhões com bônus ao longo de três temporadas, valor que coloca o clube entre os quatro patrocínios máster mais valiosos do futebol brasileiro. No topo da lista aparece o Sport Club Corinthians Paulista, cujo contrato de patrocínio máster com a VaideBet soma R$ 120 milhões por ano. Na sequência vem o Clube de Regatas do Flamengo, que recebe R$ 85 milhões anuais da Pixbet, e a Sociedade Esportiva Palmeiras, cujo acordo com a Crefisa soma R$ 81 milhões por temporada. Mesmo com a camisa trocando o nome de Superbet para Superscore, é esse contrato, com seu piso fixo e seus bônus escalonados, que segue sustentando financeiramente o patrocínio, agora sob uma marca que, pelo menos formalmente, não é uma casa de apostas. O tamanho desse contrato explica por que nenhum dos dois clubes cogitou simplesmente abrir mão do patrocínio quando a legislação mudou: trocar a marca exposta na camisa manteve intacta a receita, apenas sob um nome que escapa do texto da nova norma, ao menos enquanto ela segue em análise no Congresso.

Em nota publicada no site oficial do clube nesta semana, o Fluminense resumiu a operação como uma “adequação à Medida Provisória n. 1.394/2026, preservando o contrato firmado entre o clube e os investidores da marca Superbet”.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.