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Vinte marcas concentram 80% da receita das bets

Relatório da consultoria Blask com a brmkt.co mostra que 20 marcas concentram 80% da receita das bets no Brasil em 2025, com a Betano na liderança.

Por Rodrigo Salgado 15 de julho 4 min de leitura
Resumo Relatório da consultoria Blask com a brmkt.co mostra que 20 marcas concentram 80% da receita das bets no Brasil em 2025, com a Betano na liderança.
Vista aérea do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, cercado por vegetação e área urbana
Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro: futebol segue como o principal vetor de audiência e patrocínio das casas de apostas no Brasil. Foto: Ricardo Deutsch Junior, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Vinte marcas respondem por cerca de 80% de toda a receita gerada pelas casas de apostas no Brasil em 2025. O número é da consultoria de inteligência de mercado Blask, em parceria com a agência brmkt.co, e ajuda a mostrar como o mercado regulado, pouco mais de um ano depois de sair do papel, já amadurece em torno de um grupo pequeno de marcas líderes, no mesmo padrão de outros setores de consumo consolidados no Brasil.

O levantamento, batizado de “Brazil’s Betting Brands Report” e publicado em dezembro de 2025, parte de uma base oficial: o GGR (receita bruta de apostas, já descontados os prêmios pagos) de R$ 17,4 bilhões registrado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) no primeiro semestre de 2025. Anualizada, essa base projeta um mercado de R$ 34,8 bilhões no ano. Sobre esse total, a Blask aplicou indicadores próprios de força de marca, capacidade de aquisição de clientes e ganho competitivo, com dados coletados entre janeiro e novembro, para estimar a fatia de cada operadora.

No topo do ranking está a Betano, com receita projetada de US$ 1,429 bilhão, o equivalente a R$ 7,6 bilhões na cotação de R$ 5,30 usada pelo próprio relatório. Dividido pelo total anual estimado de US$ 6,27 bilhões, esse valor representa uma fatia individual de aproximadamente 22,8% do mercado nacional, praticamente um quarto da receita das bets concentrado em uma única marca. A conta é próxima, em ordem de grandeza, de estimativas divulgadas em outros momentos pela consultoria britânica H2 Gambling Capital, que também situava a Betano na liderança isolada do setor. Bet365, Sportingbet, Esportes da Sorte e Superbet aparecem na sequência entre as marcas mais bem posicionadas do levantamento.

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O recorte fica mais claro quando cruzado com outro dado da própria SPA: no mesmo período, o órgão contabilizava 78 operadoras licenciadas e 182 marcas comerciais ativas no mercado regulado, já que cada outorga permite operar até três marcas simultâneas. Ou seja, as 20 marcas do topo do ranking representam apenas 11% do total de marcas em operação no país, mas concentram cerca de 80% do dinheiro que circula no setor. As outras 162 marcas, quase 90% do total, dividem entre si os 20% restantes da receita.

Para afiliados, fornecedores de tecnologia e operadoras de porte médio, essa distribuição tem efeito direto sobre o dia a dia do negócio. Espaço em TV aberta, patrocínio de clubes de futebol e contratos com influenciadores de peso concentram-se nas mãos de quem já tem caixa para sustentar campanha nacional, justamente no momento em que a operação ficou mais cara: outorga federal de R$ 30 milhões, exigências de compliance e tributação mais rígida elevaram o custo de entrada desde a regulamentação. O raio-x mais recente do mercado regulado, com o total de plataformas autorizadas em julho de 2026, mostra que a lista de licenciados segue crescendo, mesmo com a receita concentrada em poucos nomes.

A resposta de parte das operadoras menores tem sido buscar escala por aquisição em vez de disputar orçamento de mídia sozinha contra as líderes. Foi o caminho seguido pelo grupo dono da Esportes da Sorte, que comprou a BETBR Loterias, controladora das marcas Apostou, B1BET e BRBET, poucos dias antes da divulgação deste retrato de mercado. Movimentos como esse tendem a se repetir, já que consolidar marcas sob um mesmo grupo custa menos do que tentar arrancar audiência das gigantes do zero.

A concentração também ajuda a explicar a corrida por espaço em patrocínio esportivo, ainda que o número de clubes do Brasileirão com patrocínio máster de bets tenha caído em 2026: com orçamento de mídia mais concentrado, sobra menos operadora disposta a pagar por camisa de time, e as que seguem no jogo tendem a ser justamente as marcas que já lideram o ranking de receita.

Nem toda leitura do setor trata essa concentração como sinal de alerta. O próprio relatório da Blask nota que marcas digitais e de apelo mais “brasileiro”, caso de nomes como Esportes da Sorte e KTO, têm ganhado espaço mesmo sem o orçamento das gigantes internacionais, apostando em proximidade cultural com o apostador local. Para o mercado como um todo, a leitura mais sóbria é a de um setor que amadurece e se organiza como outros segmentos consolidados de consumo no Brasil, com um grupo pequeno de marcas líderes e uma cauda longa de operadoras menores em busca de nicho.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.
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