O Bradesco BBI colocou um número redondo na mesa das casas de apostas que operam no Brasil: um Gross Gaming Revenue (GGR) de cerca de R$ 101,8 bilhões em 2026, resultado de uma alta projetada de 11% sobre a receita bruta de jogos em dólar, hoje próxima dos US$ 20 bilhões. Na leitura do banco, esse avanço dá sequência a um ciclo que já vinha em alta desde a liberalização do mercado online, período em que o GGR nacional teria saltado 33% em 2025, para US$ 17 bilhões, depois de partir de uma base de US$ 13 bilhões que o próprio BBI estimava antes de a regulamentação entrar em vigor.
O que os números oficiais da SPA mostram
Os dados que a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, publicou em seu primeiro balanço contam uma história de escala bem menor: o GGR do mercado regulado somou R$ 36,9 bilhões em todo o ano de 2025, fração da projeção do Bradesco BBI para 2026. No primeiro trimestre deste ano, segundo dados oficiais publicados pelo Metrópoles, o GGR chegou a R$ 7,6 bilhões, e o acumulado do primeiro semestre de 2026 somou R$ 20,07 bilhões, alta de 15,3% sobre igual período do ano anterior, ritmo que projeta algo entre R$ 40 bilhões e R$ 43 bilhões para o ano fechado, patamar ainda distante da projeção do banco.
Desse GGR trimestral, R$ 914 milhões foram destinados a finalidades legais como esporte, turismo, segurança pública, educação, previdência e saúde, enquanto 15,2 milhões de CPFs únicos apostaram em operadores autorizados entre janeiro e março. O mercado fechou o trimestre com 97,9 milhões de contas ativas em operadoras e 113,3 milhões de contas ativas em marcas de apostas, mais de sete vezes o número de apostadores únicos do período, o que dá a medida de quanto cada usuário se espalha entre plataformas dentro do universo de operadores autorizados pela SPA.
O perfil desse público é majoritariamente masculino, com 68,01% dos apostadores registrados sendo homens contra 31,99% de mulheres, e a faixa de 31 a 40 anos concentrando a maior fatia, 28,85% do total. Mais da metade desses usuários, 55,64%, mantém contas em duas ou mais plataformas de apostas ao mesmo tempo, segundo o balanço de contas ativas do primeiro trimestre de 2026, um comportamento que ajuda a explicar por que o número de contas supera de forma tão ampla o de apostadores únicos.
O gasto líquido médio mensal de quem aposta em plataformas online chega a R$ 122, o equivalente a 7,5% do salário mínimo vigente em 2026, e as apostas online já respondem por 3,4% das vendas líquidas do varejo brasileiro, ante 2,7% em 2023.
Cabe à SPA autorizar, regulamentar, monitorar, supervisionar, fiscalizar e sancionar as operadoras de apostas de quota fixa que atuam no país, papel que rendeu ao governo cerca de R$ 8,8 bilhões em arrecadação federal entre janeiro e novembro de 2025, período em que a secretaria bloqueou mais de 25 mil sites ilegais de apostas em parceria com a Anatel.
Ao comentar esse primeiro ciclo, o secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena, resumiu o ritmo que a SPA pretende manter em 2026: “Em 2024, estruturamos as regras do mercado. Em 2025, avançamos no acompanhamento e na fiscalização, além de trabalharmos intensamente no combate aos ilegais. Em 2026, essas atividades devem seguir e se desenvolver ainda mais, para garantir a proteção das pessoas e da economia popular.”



