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Grupo Esportes da Sorte adquire BETBR Loterias

Grupo dono da Esportes da Sorte compra BETBR Loterias, controladora de Apostou, B1BET e BRBET, em negócio notificado ao Cade.

Por Rodrigo Salgado 14 de julho 4 min de leitura
Resumo Grupo dono da Esportes da Sorte compra BETBR Loterias, controladora de Apostou, B1BET e BRBET, em negócio notificado ao Cade.
Trânsito noturno na Avenida Faria Lima, principal centro financeiro de São Paulo, com prédios corporativos ao fundo
Foto: MULTIGRAPHIAS art project, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

O grupo controlador da marca de apostas Esportes da Sorte fechou acordo para comprar 100% da BETBR Loterias Ltda, hoje controlada pela LottoCapital, empresa que também opera loterias físicas no Paraná. A compra será feita pela HS Gaming Participações Ltda, subsidiária usada pelo grupo para consolidar aquisições no setor.

A BETBR Loterias é a holding por trás de três marcas de apostas com presença relevante no mercado brasileiro: Apostou, B1BET e BRBET. Com a operação, esse trio passa a integrar a mesma órbita societária do grupo dono da Esportes da Sorte, ainda que sob estrutura de licenciamento própria, distinta da usada pela marca principal.

A transação foi formalizada perante o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por meio do Ato de Concentração nº 08700.005868/2026-68, tornado público pelo Edital nº 464, publicado por volta de 25 de junho. O processo está classificado sob o código CNAE 9200-3/99, referente à exploração de jogos de azar e apostas, e segue agora o rito ordinário de análise do órgão antitruste, sem prazo fixado para deliberação.

Vale uma nota de precisão societária. A pessoa jurídica que responde formalmente pelas autorizações do grupo junto à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) é a Esportes Gaming Brasil Ltda, conforme a Portaria SPA/MF nº 136, publicada em janeiro de 2025. Esportes da Sorte é a marca comercial mais reconhecida dessa estrutura, e é assim que o negócio tem circulado no mercado. As duas referências apontam para o mesmo grupo econômico, não para empresas diferentes.

Antes da aquisição, o grupo já operava no limite regulatório permitido por uma única licença da SPA, com três marcas simultâneas: Esportes da Sorte, Onabet e Lottu. A BETBR Loterias, por sua vez, mantém autorização própria, separada da licença principal do grupo. Somando as duas estruturas, a operação leva o grupo a ter participação em pelo menos seis marcas de apostas esportivas e cassino no país, o dobro do teto individual de uma licença isolada.

Do lado vendedor, a LottoCapital é mais conhecida por operar loterias físicas no Paraná, um negócio de natureza distinta do modelo digital de apostas esportivas e cassino online que sustenta marcas como Apostou, B1BET e BRBET. A venda da BETBR Loterias sugere um movimento de foco: a controladora concentra esforços no segmento físico regulado pelo estado, enquanto o comprador, já estruturado para operação digital em escala nacional, assume as marcas de apostas propriamente ditas.

O movimento acontece em um momento de maturação do mercado regulado brasileiro. Passado o primeiro ano de operação sob a Lei 14.790, a Secretaria de Prêmios e Apostas contabilizou R$ 8,8 bilhões em arrecadação, e o setor chegou a julho de 2026 com 187 plataformas autorizadas a operar no país. Nesse cenário, fusões e aquisições entre operadoras já licenciadas tendem a ganhar peso como estratégia de crescimento, alternativa à disputa por novas autorizações.

Consolidação de marcas sob um mesmo grupo econômico não é exclusividade das apostas esportivas. No segmento de cassino, por exemplo, fornecedoras internacionais também têm buscado ampliar presença no Brasil por meio de parcerias comerciais, como a que levou o catálogo de slots da Gaming Corps à bet365 via Light & Wonder. No caso da BETBR Loterias, a diferença está na profundidade do negócio: o grupo comprador assume o controle societário integral da operação, um passo mais amplo que um simples acordo comercial de distribuição de conteúdo.

Para o mercado, a aquisição reforça uma tendência observada desde a regulamentação: grupos com licença própria e caixa consolidado usam operações de M&A para ganhar escala de marca e base de usuários, em vez de disputar autorizações do zero junto à SPA. A análise do Cade deve avaliar concentração de mercado no setor de apostas de quota fixa, ainda pulverizado entre dezenas de operadoras autorizadas. Interessados podem acompanhar o andamento do processo diretamente na plataforma de pesquisa processual pública do Cade.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.