Urgente BSOP Millions traz 2ª Super High Roller Series em SP
Casas de Apostas

Mercado ilegal de apostas recua, mas segue alto no Brasil

Estudo da LCA Consultores com dados do Instituto Locomotiva mostra que entre 38% e 44% das apostas on-line ainda ocorrem fora da regulação.

Por Rodrigo Salgado 17 de agosto 4 min de leitura
Resumo Estudo da LCA Consultores com dados do Instituto Locomotiva mostra que entre 38% e 44% das apostas on-line ainda ocorrem fora da regulação.
Presidente do IBJR, André Pereira Cardoso Gelfi, depõe em audiência da CPI das Apostas Esportivas no Senado (Foto de arquivo: audiência da CPI das Apostas Esportivas no Senado, novembro de 2024, com o presidente do IBJR.)
Foto de arquivo: audiência da CPI das Apostas Esportivas no Senado, novembro de 2024, com o presidente do IBJR. (Foto: Senado Federal CC BY 2.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2024-11-12,_Senado_Federal_do_Brasil_-_309.jpg)

Divulgado em 11 de agosto de 2026, um novo estudo sobre o combate ao mercado clandestino de apostas esportivas no Brasil trouxe um retrato mais favorável do que o registrado um ano antes, ainda que distante de indicar a extinção do problema. Batizado de “Dimensionamento e combate do mercado ilegal de apostas no Brasil”, o levantamento foi conduzido pela LCA Consultores com base em dados da pesquisa “Incidência de apostas ilegais no Brasil”, realizada pelo Instituto Locomotiva e encomendada pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). Segundo os números atuais, entre 38% e 44% das apostas on-line feitas no primeiro semestre de 2026 ocorreram em plataformas que operam à margem da regulação federal.

Na pesquisa anterior, divulgada em junho de 2025, a faixa estimada era bem mais alta, entre 41% e 51% das apostas on-line. A comparação entre as duas edições revela não apenas a queda no piso e no teto da estimativa, mas também um estreitamento da própria incerteza da medição, já que o intervalo entre o cenário mais otimista e o mais pessimista caiu de 10 para 6 pontos percentuais entre um levantamento e outro.

A pesquisa de campo que sustenta essas conclusões foi realizada pelo Instituto Locomotiva em maio de 2026, em todo o território nacional, ouvindo 2.291 apostadores sobre seus hábitos de consumo em plataformas de apostas esportivas. Os dados ajudam a explicar por que a fatia ilegal, mesmo em queda, ainda preocupa autoridades e operadores licenciados: nos três meses anteriores à pesquisa, 53% dos entrevistados afirmaram ter apostado em sites que não exigiam reconhecimento facial, e 48% disseram ter usado domínios com terminação diferente de “.bet.br”, identificador reservado às operadoras autorizadas. Outros 37% dos apostadores fizeram depósitos via cartão de crédito e 23% via criptoativos, métodos não aceitos no mercado regulado.

Comparação internacional

A dimensão do problema fica mais clara quando colocada ao lado de outros mercados regulados: na comparação internacional feita pela LCA, apenas a Holanda registra uma participação do mercado ilegal maior que a brasileira, com 51%, enquanto Irlanda, Suécia e Reino Unido apresentam índices de apenas 3%, 6% e 8%, respectivamente. O contraste ilustra a distância que ainda separa o Brasil de mercados regulados há mais tempo, mesmo com a trajetória recente de queda registrada pela pesquisa Locomotiva/IBJR.

Segundo os responsáveis pelo estudo, a redução do mercado ilegal está diretamente relacionada aos avanços na regulação e na fiscalização do setor desde a entrada em vigor do modelo de apostas de quota fixa, em janeiro de 2025, o que tem tornado mais fácil para o apostador comum identificar quais plataformas operam de forma autorizada. Carlos Lima, presidente-executivo do IBJR, avalia que “a redução observada é um sinal positivo da consolidação do mercado regulado brasileiro”, ainda que, segundo ele, “o desafio, agora, é dar continuidade a esse avanço, fortalecendo o combate aos operadores clandestinos e garantindo que a evolução regulatória ocorra com segurança jurídica e previsibilidade”. Mesmo diante desse cenário mais favorável, o próprio estudo reconhece que o mercado ilegal brasileiro segue maior do que o observado em outros países pesquisados pela LCA. O ritmo de expansão do universo autorizado segue acelerado: dias antes da divulgação do estudo, a Secretaria de Prêmios e Apostas autorizou 188 casas de apostas no Brasil, ampliando o universo de operadoras licenciadas à disposição do apostador.

O tamanho do mercado regulado ajuda a dimensionar o que está em jogo nessa disputa por espaço com as plataformas clandestinas: o setor movimentou cerca de R$ 37 bilhões em receita em 2025, dos quais R$ 9,95 bilhões foram recolhidos em impostos, além de sustentar cerca de 15.500 empregos diretos e indiretos e R$ 7,5 bilhões em investimento de capital, com taxas de licenciamento de R$ 30 milhões por operadora.

O IBJR, entidade que encomendou o estudo, foi fundado em 2023 e reúne hoje as principais empresas de apostas esportivas em atuação no Brasil, respondendo por cerca de 75% do mercado regulamentado do país, com foco declarado em combate ao mercado ilegal e em jogo responsável. Para orientar o público na identificação de operadores autorizados, a entidade mantém o site betalert.com.br, ferramenta que permite ao apostador checar se uma determinada plataforma está regularizada antes de realizar qualquer depósito.

Ao comentar o mesmo levantamento, Eric Brasil, diretor de Regulação e Políticas Públicas da LCA Consultores, resumiu o que considera o principal recado da pesquisa: “A notícia boa é que estamos conseguindo reduzir o mercado ilegal, mas o estudo não discute se a aposta é boa ou ruim. O fato é que o mercado ilegal ainda é muito grande se comparado com outros países.”

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.