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Legislação

Nova lei manda bancos bloquear Pix de bets ilegais

Lei 15.358/2026 obriga bancos e PSPs a bloquear contas e Pix de bets ilegais; entenda o rito e o que muda para operadoras licenciadas.

Por Camila Duprat 4 de agosto 3 min de leitura
Resumo Lei 15.358/2026 obriga bancos e PSPs a bloquear contas e Pix de bets ilegais; entenda o rito e o que muda para operadoras licenciadas.
Fachada do Palácio do Planalto, sede do governo federal em Brasília (Imagem de arquivo: fachada do Palácio do Planalto, sede do governo federal.)
Imagem de arquivo: fachada do Palácio do Planalto, sede do governo federal. (Foto: Leandro Neumann Ciuffo CC BY 2.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pal%C3%A1cio_do_Planalto_(8721928846).jpg)

A partir de agora, bancos e instituições de pagamento terão obrigação legal de bloquear contas de depósito, contas de pagamento e transações, incluindo via Pix, vinculadas a operadores de apostas que atuam sem autorização no Brasil. A regra está na Lei 15.358/2026, que alterou a Lei das Bets (14.790/2023) e passou a valer como ferramenta direta de combate ao mercado ilegal de apostas.

Sancionada pelo presidente Lula em 24 de março de 2026, a norma é conhecida como Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, ou Lei Antifacção. Também recebeu o nome de Lei Raul Jungmann, em homenagem ao ex-ministro da Segurança Pública.

Como funciona o bloqueio na prática

O mecanismo criado pela lei segue um rito específico. Quando há indícios de atividade irregular, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda pode emitir um Auto de Constatação de Irregularidade e Notificação de Bloqueio, encaminhado às instituições financeiras. É esse documento que aciona o bloqueio das contas e transações associadas ao operador ilegal.

Depois do bloqueio, abre-se um processo administrativo para apurar os fatos. Se a irregularidade for confirmada, a Advocacia-Geral da União pode ajuizar ação pedindo o perdimento dos recursos, segundo apuração do Terra.

Monitoramento e troca de dados entre instituições

A lei também institui ferramentas de monitoramento com filtros automatizados e bloqueios de transações suspeitas, além de compartilhamento obrigatório de informações entre bancos, instituições de pagamento e órgãos reguladores. As transferências via Pix ligadas a apostas ilegais recebem atenção específica dentro desse sistema de monitoramento.

Publicidade e responsabilização

A norma amplia o alcance da responsabilização para além do fluxo financeiro. Quem veicula, divulga ou monetiza publicidade associada a bets ilegais pode responder pelo ato se houver conhecimento inequívoco da irregularidade, o que inclui influenciadores e empresas de publicidade ou marketing. A lei ainda prevê aumento de penas para participação em organizações criminosas ou milícias e facilita a apreensão de bens de envolvidos.

O tamanho do problema que a lei tenta enfrentar

Um estudo da LCA Consultores, de 2025, estima que o Brasil deixa de arrecadar mais de R$ 10 bilhões por ano devido à dificuldade de combater bets clandestinas. O número dá contexto financeiro à urgência do novo mecanismo de bloqueio.

Operações ilegais representam cerca de 40% do mercado brasileiro de apostas, contra aproximadamente 13% no Reino Unido.

Uma pesquisa de 2025 já havia mostrado a dimensão do consumo irregular: 61% dos entrevistados admitiram já ter apostado em plataformas irregulares, e 73% usaram ao menos uma plataforma clandestina mapeada durante o ano.

“A ação mais contundente do governo é fundamental para viabilizar o combate aos ilegais”, disse Bernardo Freire, consultor da Betlaw.

O tema entra em uma sequência de mudanças regulatórias que já vinha se acelerando neste ano, como mostra o levantamento sobre as novas regras das bets previstas até 2027.

Camila Duprat
Quem escreve: Camila Duprat
Advogada especializada em direito do jogo e compliance regulatório. Acompanha a regulamentação das apostas no Brasil desde a Lei 14.790/2023 e escreve sobre o que muda na prática para operadoras e afiliados.