A final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina, disputada nesta tarde de domingo (19) no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, coroa o maior evento da história dos mercados de previsão. Juntas, as plataformas Kalshi e Polymarket romperam a marca de US$ 5 bilhões negociados no mercado que aposta no campeão do torneio antes mesmo da bola rolar na decisão, segundo o site americano The Mirror.
Na Kalshi, maior operadora de mercados de eventos dos Estados Unidos, o contrato que paga pelo campeão do Mundial acumulava US$ 1,27 bilhão em volume até a véspera da final, de acordo com a revista Fortune. O número é mais que o dobro dos recordes anteriores da própria casa: os US$ 535 milhões movimentados na eleição presidencial americana de 2024, os US$ 460 milhões do Masters de golfe de 2026 e os US$ 358 milhões do Super Bowl LX.
Na Polymarket, maior plataforma global do setor, o mercado do campeão da Copa do Mundo somava mais de US$ 4,2 bilhões em volume acumulado desde a abertura, em julho de 2025. É o maior mercado individual já registrado pela exchange, à frente do recorde anterior, batido durante a eleição presidencial americana de 2024, quando o mesmo tipo de contrato movimentou US$ 3,6 bilhões.
Somados, os dois recordes do mercado do campeão do Mundial equivalem a cerca de um terço a mais do que Kalshi e Polymarket movimentaram juntas na disputa presidencial de 2024. É um indício adicional de que o torneio se tornou o maior evento já negociado na história dos mercados de previsão, à frente também de Super Bowl, Masters de golfe, NBA Finals e March Madness, segundo a Fortune.
O volume no mercado do campeão é só uma fatia do fenômeno. Em junho, mês de abertura da Copa, a Kalshi bateu recorde mensal com US$ 31 bilhões em volume negociado no total da plataforma, alta de mais de 70% sobre os US$ 17,9 bilhões de maio, com média diária acima de US$ 1 bilhão desde 11 de junho. A Polymarket também fechou o mês com marca histórica: US$ 10,8 bilhões em sua operação internacional.
“O Mundial é um teste de estresse enorme, para ver se os mercados de previsão realmente conseguem cumprir a promessa de manter condições equilibradas para todos os investidores por um longo período, em um ambiente sustentado de alto volume”, disse Asaf Meir, CEO da Solidus Labs, empresa de monitoramento de integridade de mercado parceira da Kalshi, à CNBC.
No Brasil, mercados de previsão sobre o resultado de eventos esportivos como a Copa do Mundo estão proibidos desde maio, quando entrou em vigor a Resolução CMN 5.298. A norma veta contratos derivativos referenciados a campeonatos esportivos, eleições e eventos sem lastro econômico, e o Ministério da Fazenda já bloqueou o acesso a 27 plataformas do tipo, entre elas a própria Kalshi e a Polymarket. O recorde bilionário do Mundial nessas exchanges acontece, portanto, fora do mercado regulado brasileiro: quem usa essas plataformas do exterior para negociar o resultado da final opera à margem da regulação nacional.
Esse universo é diferente do mercado de apostas esportivas regulamentado, supervisionado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF), que trata do resultado de jogos de futebol e opera legalmente no país. Só na fase de grupos do Mundial, entre 11 e 27 de junho, esse mercado movimentou entre R$ 2,95 bilhões e R$ 4,43 bilhões no Brasil, segundo levantamento do Aposta Legal para o Painel da Copa, divulgado pelo MKT Esportivo. A mesma pesquisa projeta salto nos acessos a sites de apostas para 4,2 bilhões em julho, mês em que o torneio chega à decisão, sinal de novo recorde no período mais quente do calendário esportivo do ano.
O crescimento dos mercados de previsão ligados à Copa já era tema de matéria anterior do Giro do Mercado, quando o volume acumulado rondava US$ 4 bilhões, assim como a movimentação do mercado eleitoral brasileiro de 2026 nessas mesmas plataformas. Com a decisão entre Espanha e Argentina, que a FIFA projeta para um público de mais de 80 mil torcedores no MetLife Stadium, o Mundial consolida a marca de maior evento já negociado na história dos mercados de previsão.



