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Brasileirão volta com bets pagando R$ 613 mi por ano

Brasileirão retomou a 19ª rodada com 12 clubes patrocinados por bets e contratos milionários, sob novas regras de publicidade do setor.

Por Rodrigo Salgado 17 de julho 4 min de leitura
Resumo Brasileirão retomou a 19ª rodada com 12 clubes patrocinados por bets e contratos milionários, sob novas regras de publicidade do setor.
Arquibancadas e gramado do Estádio do Pacaembu, em São Paulo, com o horizonte da cidade ao fundo
Estádio do Pacaembu, em São Paulo, palco histórico do futebol brasileiro. Foto: Boaventuravinicius/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O Campeonato Brasileiro Série A voltou a rodar na noite de 16 de julho, com Botafogo x Santos e Vitória x Vasco da Gama abrindo a 19ª rodada; Mirassol x Grêmio completou a estreia da rodada só no dia seguinte, 17 de julho. O returno começa três dias antes da final da Copa do Mundo, marcada para 19 de julho, e devolve ao calendário um detalhe que a pausa de 45 dias não apagou: o patrocínio de casas de apostas segue bancando boa parte do futebol de elite do país, mesmo com menos clubes na lista e regras de publicidade mais duras a partir de agora.

Doze clubes da Série A entraram nesta fase da temporada com bets estampadas na camisa, recuo de 33% frente aos 18 times que tinham parceiros do setor em 2025, como o Giro do Mercado mostrou em janeiro. A redução no número de contratos, porém, não achatou o valor dos que ficaram em pé. Levantamento do Giro do Mercado a partir de dados confirmados por clubes e veículos especializados mostra que só os quatro maiores patrocínios máster de bets do Brasileirão somam R$ 613,5 milhões nesta temporada.

À frente de todos está o Flamengo, que recebe da Betano R$ 268,5 milhões por temporada em contrato que vai até dezembro de 2028 e que o próprio clube chama de maior parceria comercial do futebol brasileiro. Em seguida vem o Corinthians: a renovação com a Esportes da Sorte fechada no início do ano elevou o valor fixo de R$ 103 milhões para R$ 150 milhões por temporada, podendo chegar a R$ 200 milhões com bônus de desempenho, alta de 45% sobre o contrato anterior. O Palmeiras recebe R$ 100 milhões da Sportingbet, sua patrocinadora máster, que não se confunde com a Embracon, parceria mais recente do clube para o esterno da camisa, de R$ 5,5 milhões por temporada. Fecha o quarteto o São Paulo, que embolsa R$ 95 milhões da Superbet neste ano, dentro de um contrato progressivo que começou em R$ 50 milhões em 2024 e deve chegar a R$ 120 milhões em 2030.

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Esses contratos voltam a operar sob um cenário regulatório mais apertado. Desde 17 de julho está em vigor a Portaria SPA/MF nº 1.964, que obriga todo anúncio de apostas a trazer um dos avisos definidos pelo Ministério da Fazenda, como “Apostar pode causar dependência”, ocupando ao menos 10% da peça publicitária. Junto dela passou a valer a Portaria Interministerial MF/Secom/MJSP nº 73, que proíbe narradores, comentaristas e apresentadores de recomendarem plataformas ou sugerirem apostas específicas durante as transmissões, prática que já rendeu questionamento de reguladores à cobertura de bets feita durante a Copa do Mundo.

A pressão chegou também às emissoras que dependem desse dinheiro para bancar o returno. A Globo renovou para 2026 os patrocínios de Betnacional e Betano na TV aberta, enquanto Bet365 e Superbet aparecem entre os parceiros do futebol na GE TV. A CazéTV, que transmite 38 jogos do Brasileirão pelo YouTube nesta temporada, mantém EstrelaBet, Esportes da Sorte e H2bet no time de marcas. Depois da repercussão em torno da publicidade de apostas durante o Mundial, o canal já sinalizou que vai adotar um formato mais tradicional para as ativações comerciais do setor a partir da retomada do campeonato nacional.

Passada a pausa mais longa da história recente do calendário nacional, o desafio dos clubes patrocinados por bets muda de figura. Não basta mais só manter a receita em alta: é preciso fazer isso sob fiscalização mais rígida sobre o que pode ser dito, mostrado e prometido durante os próprios jogos que essas marcas ajudam a pagar.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.
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