Doze clubes da Série A do Campeonato Brasileiro iniciaram a temporada 2026 com casas de apostas como patrocinadoras máster, uma queda de 33% frente aos 18 times que tinham acordos do tipo em 2025.
O levantamento, divulgado no fim de janeiro, lista Botafogo (Vbet), Fluminense (Superbet), Chapecoense (Zeroum), Athletico-PR (Viva Sorte Bet), Corinthians (Esportes da Sorte), Palmeiras (Sportingbet), São Paulo (Superbet), Atlético-MG (H2bet), Cruzeiro (Betnacional), Vitória (7k) e Remo (Vaidebet) entre os clubes com patrocínio de bets na camisa.
O caso de maior destaque é o do Flamengo, que trocou a Pixbet pela Betano em contrato apontado por veículos esportivos como o maior acordo de patrocínio já fechado no futebol brasileiro, avaliado em cerca de R$ 268 milhões por temporada.
O anúncio da nova parceria ocorreu em agosto de 2025, após a Pixbet optar por não renovar o vínculo anterior, avaliado em até R$ 250 milhões com bônus por metas, em meio a dificuldades de fluxo de caixa da operadora.
Segundo o clube carioca, todas as três propostas recebidas para a cota superavam R$ 200 milhões anuais, o que evidencia o apetite das operadoras licenciadas por associar a marca a um dos clubes de maior audiência do país, mesmo em um cenário de retração geral do setor.
Consultores de marketing esportivo ouvidos pela imprensa especializada atribuem a queda no número de contratos a uma correção de mercado, depois de um período em que operadoras pagaram valores acima do que as cotas efetivamente entregavam em retorno de audiência e conversão de apostadores.
O aumento de custos regulatórios e tributários sobre o setor, com a alíquota sobre o GGR subindo ao longo de 2026, também é citado como fator que reduziu o orçamento de marketing de operadoras de menor porte para patrocínio de camisa.
A retração abre espaço para marcas de outros setores disputarem cotas máster nos clubes que ficaram sem patrocinador de apostas, tendência já observada também na Série B, onde mais de um terço dos times começou a temporada sem patrocinador principal definido.
Para fornecedores e agências que atuam com marketing esportivo no setor de apostas, o cenário de 2026 sinaliza um mercado mais seletivo, concentrado nas operadoras com caixa e escala suficientes para sustentar contratos de longo prazo com os clubes de maior torcida.
O contrato entre Flamengo e Betano tem duração de três anos e quatro meses, com início em setembro de 2025, e abrange futebol profissional masculino e feminino, modalidades olímpicas como vôlei e basquete, além da FlamengoTV, segundo apuração de veículos esportivos sobre os termos do acordo.
Outro caso que ilustra a concentração do mercado é o do Cruzeiro, patrocinado pela Betnacional, marca do grupo Flutter Brazil, que também mantém parcerias de patrocínio com Sport Recife e Vasco da Gama fora da lista de máster da Série A.
A tendência observada no Brasileirão 2026 conversa com um movimento mais amplo no futebol sul-americano, em que operadoras de apostas reavaliam o retorno sobre patrocínios esportivos à medida que a base de apostadores deixa de crescer no ritmo acelerado dos primeiros anos após a regulamentação.



