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PF mira 87 empresas suspeitas de lavagem de dinheiro ligada a apostas ilegais

Operação Véu de Maia da PF cumpriu nove mandados em seis cidades a partir de dados da SPA sobre suposto esquema de laranjas ligado a apostas ilegais.

Por Rodrigo Salgado 13 de julho 3 min de leitura
Resumo Operação Véu de Maia da PF cumpriu nove mandados em seis cidades a partir de dados da SPA sobre suposto esquema de laranjas ligado a apostas ilegais.
PF mira 87 empresas suspeitas de lavagem de dinheiro ligada a apostas ilegais
Foto: Edwin.images, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

A Polícia Federal deflagrou a Operação Véu de Maia para apurar um esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa ligado à exploração ilegal de apostas de quota fixa no Brasil. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, além de buscas pessoais, em seis cidades de três estados: Aparecida de Goiânia e Goiânia, em Goiás; São Paulo e Ribeirão Preto, em São Paulo; e Porto Alegre e Canoas, no Rio Grande do Sul.

Segundo nota oficial da corporação, as investigações miram uma estrutura que teria usado ao menos 87 empresas como interpostas pessoas, os chamados laranjas, para movimentar recursos de operadores irregulares de apostas. A PF também apura suspeita de remessa irregular de valores ao exterior por meio de criptoativos, modalidade que dificulta o rastreamento de origem e destino do dinheiro.

O dado que menos aparece nas primeiras coberturas do caso é a origem da apuração. As investigações começaram a partir de informações encaminhadas pela própria Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, órgão responsável por autorizar e fiscalizar o mercado de apostas de quota fixa no país. Foi o cruzamento de dados regulatórios da SPA com o trabalho de inteligência financeira da PF que permitiu identificar a rede de empresas suspeitas e desencadear a operação.

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Essa articulação entre o regulador setorial e a polícia judiciária federal reforça um movimento que já vinha se desenhando nas últimas semanas: o Estado tratando o combate ao mercado ilegal de apostas como uma prioridade que combina fiscalização administrativa e repressão penal. Para o mercado regulado, episódios como este tendem a ser lidos como sinal de que a fiscalização tem dentes, o que ajuda a diferenciar operadores licenciados de casas que seguem operando à margem da lei.

A Polícia Federal não divulgou nomes de investigados, prisões ou valores bloqueados judicialmente no âmbito da operação.

A Operação Véu de Maia é a mais recente de uma série de ações voltadas ao cerco financeiro contra bets ilegais. Dias antes, o Ministério da Fazenda notificou 37 fintechs para bloquear pagamentos destinados a operadores não autorizados, medida que caminha na mesma direção da apuração agora conduzida pela PF: fechar as rotas financeiras que sustentam o mercado clandestino.

Os crimes sob investigação incluem lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e outros delitos eventualmente identificados ao longo do inquérito, conforme a nota da PF. O caso segue em fase de apuração, sem indiciamentos formais divulgados publicamente.

O episódio ocorre em um momento em que o mercado brasileiro de apostas de quota fixa opera sob regime de licenciamento federal, com empresas autorizadas pela SPA obrigadas a cumprir regras de compliance, tributação e prevenção à lavagem de dinheiro. Operadores que atuam fora desse regime, sem autorização da SPA, ficam de fora dos mecanismos de fiscalização e são o alvo declarado de operações como a Véu de Maia. Para o setor regulado, a distinção entre quem paga outorga e segue as regras e quem opera na ilegalidade é justamente o que ações como esta ajudam a evidenciar publicamente.

Mais desdobramentos sobre fiscalização e enforcement no setor de apostas podem ser acompanhados no hub de Casas de Apostas do Giro do Mercado.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.
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