O mercado brasileiro de apostas esportivas deve movimentar até R$ 31 bilhões durante a Copa do Mundo da FIFA de 2026, segundo projeção de Alexander Kamenetsky, diretor de operações da SOFTSWISS Sportsbook, divulgada em meados de junho.
A estimativa coloca o Brasil como responsável por cerca de 10% de todo o volume apostado no mundo durante o torneio, calculado em até US$ 60 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 310 bilhões em cotação corrente.
O valor projetado representa um salto superior a 50% frente à Copa do Catar, em 2022, quando o volume global apostado somou cerca de US$ 35 bilhões, conforme a mesma análise.
Parte do crescimento é atribuída ao formato ampliado do torneio, disputado nos Estados Unidos, no México e no Canadá, com 48 seleções e 104 partidas, ante 64 jogos nas edições anteriores.
Esta é a primeira Copa do Mundo disputada com o mercado brasileiro de apostas de quota fixa plenamente regulado. O país tem hoje mais de 180 operadoras autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, segundo listas oficiais atualizadas em junho.
Levantamento da Creditas em parceria com a Opinion Box, citado na mesma cobertura, mostra que 56% dos brasileiros pretendem apostar ou participar de bolões durante o Mundial. Entre jovens de 18 a 24 anos, o percentual sobe para 70%.
Para as operadoras licenciadas, a janela do Mundial é tratada como o principal evento de aquisição e retenção de clientes do ano, em um momento de aumento gradual da carga tributária sobre o GGR (Gross Gaming Revenue) do setor.
O período também coincide com fiscalização reforçada da publicidade de apostas por parte da SPA/MF e de entidades como o CONAR, o que deve moldar como as marcas exploram comercialmente o volume projetado ao longo dos 39 dias de torneio, disputado entre 11 de junho e 19 de julho.
Analistas do setor apontam que o resultado real dependerá também do desempenho da seleção brasileira e de outras seleções populares no país, fator que historicamente altera o volume apostado ao longo da competição.
O volume projetado para o Brasil também reflete o amadurecimento do mercado desde a regularização das apostas de quota fixa, em janeiro de 2025. No primeiro ano completo sob esse regime, o setor gerou um GGR (receita bruta de jogos) de cerca de R$ 37 bilhões, patamar que serve de referência para dimensionar o possível impacto da Copa sobre o resultado de 2026.
Do lado internacional, o crescimento projetado também é puxado pela expansão das apostas esportivas legalizadas nos Estados Unidos, um dos três países-sede do torneio, o que amplia a base de apostadores elegíveis a operar de forma regulada durante o Mundial em relação à edição de 2022.
O período de disputa da Copa coincide ainda com a fase de maior investimento em marketing por parte das operadoras, mesmo em um cenário no qual bets vêm reduzindo cotas de patrocínio máster no futebol nacional, o que deve deslocar parte do orçamento para mídia digital, aplicativos e ações pontuais ligadas ao torneio.



