A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda divulgou, em 21 de janeiro, o balanço do primeiro ano completo do mercado regulado de apostas de quota fixa no Brasil, em vigor desde janeiro de 2025.
Segundo o órgão, a arrecadação federal com o setor somou cerca de R$ 8,8 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, considerando tributos e destinações legais sobre a atividade.
A esse montante somam-se R$ 2,5 bilhões arrecadados com taxas de outorga para licenciamento de operadoras e R$ 95,5 milhões em taxas de fiscalização cobradas ao longo do ano.
O relatório aponta 79 empresas autorizadas a operar no país até o fechamento do balanço.
De acordo com o órgão regulador, 25,2 milhões de brasileiros fizeram apostas de quota fixa ao longo de 2025, movimentando um GGR (receita bruta de jogos, descontados os prêmios pagos) de aproximadamente R$ 37 bilhões no acumulado do ano.
No campo da fiscalização, a SPA/MF informou o bloqueio de mais de 25 mil sites de apostas ilegais em operação conjunta com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), parte da estratégia de conter a oferta de plataformas não licenciadas.
O secretário Regis Dudena classificou 2025 como o primeiro ano em que o Estado brasileiro esteve integralmente presente na regulação desse mercado, marco que a pasta usa como referência para o ciclo regulatório que segue em 2026 e 2027.
O balanço também traz um dado sobre proteção ao apostador: a plataforma de autoexclusão voluntária de contas em bets recebeu mais de 217 mil cadastros nos primeiros 40 dias após o lançamento, no fim de 2025, com perda de controle e questões de saúde mental citadas como motivo principal por 37% dos usuários.
Para operadoras e investidores, os números consolidam o tamanho do mercado brasileiro como um dos mais relevantes do setor global de apostas esportivas, ao mesmo tempo em que sinalizam pressão regulatória crescente sobre publicidade, retenção de clientes e combate ao mercado ilegal ao longo de 2026.
O ciclo tributário do setor também segue em movimento. A alíquota sobre o GGR das operadoras, que começou em 12%, passou a 13% em 2026, com escritórios especializados em direito regulatório estimando que o aumento pode representar cerca de R$ 850 milhões adicionais em arrecadação federal ao longo do ano, antes de nova elevação prevista para 14% em 2027.
O período coberto pelo balanço da SPA/MF antecede a Copa do Mundo de 2026, o que torna os números de 2025 um ponto de partida importante para medir se o volume de apostas e a arrecadação vão acelerar durante o Mundial, disputado entre junho e julho.



