O Grupo Esportes Gaming Brasil (EGB), controlador da marca Esportes da Sorte, fechou a compra da BETBR Loterias, companhia por trás das operadoras Apostou, B1BET e BRBET. A aquisição foi conduzida pela HS Gaming Participações, subsidiária ligada ao grupo, que assume o controle integral da BETBR Loterias, hoje nas mãos da LottoCapital, empresa que também opera loteria física no Paraná.
A operação ganhou publicidade oficial no fim de junho, quando o Diário Oficial da União publicou um edital dando ciência à abertura de um Ato de Concentração movido perante o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. O documento lista HS Gaming Participações Ltda. e BETBR Loterias Ltda. como partes do negócio, que segue sujeito a análise da autarquia antitruste. Nenhuma das partes divulgou o valor da transação.
O EGB opera desde 2025 com licença definitiva da Secretaria de Prêmios e Apostas, órgão do Ministério da Fazenda que regula o setor. Pelo ranking trimestral da consultoria Blask referente ao primeiro trimestre de 2026, a Esportes da Sorte figurava na sexta posição entre as casas de apostas do país, e a Onabet, outra marca do mesmo grupo, na décima colocação, o que dá dimensão ao apetite do comprador antes mesmo desta operação.
A conta muda o tamanho do portfólio do grupo. Antes da compra, o EGB já controlava as marcas Esportes da Sorte, Onabet e Lottu, como o próprio grupo destacou ao ser premiado pelo Instituto dos Auditores Internos do Brasil no mês passado. Com a chegada de Apostou, B1BET e BRBET pela BETBR Loterias, o EGB passa a reunir ao menos seis marcas de apostas e loterias sob o mesmo guarda-chuva corporativo no país.
O apetite por consolidação não é exclusividade do EGB. O Brasil reúne hoje mais de 2 mil sites de apostas esportivas em atividade, mas representantes do setor já preveem uma redução drástica no número de operadores nos próximos anos, projetando algo em torno de 30 empresas restantes daqui a cinco anos, à medida que o custo regulatório da Secretaria de Prêmios e Apostas afasta operações menores do mercado formal.
Nem toda movimentação recente tem a mesma escala. Em outro negócio do setor, a irlandesa Flutter fechou acordo para controlar 56% da NSX, dona da Betnacional, Betpix e MrJack.bet, em transação que pode superar R$ 5,6 bilhões ao longo de dez anos. A compra da BETBR Loterias segue sem valor de transação revelado, perfil mais discreto que também aparece em outras operações entre grupos nacionais de porte médio.
A operação segue pendente de aprovação final do Cade, que pode aprovar o negócio sem ressalvas ou impor restrições, conforme o rito ordinário de atos de concentração. Para o mercado, o movimento reforça a leitura de que fusões entre operadoras de apostas devem se tornar rotina nos próximos meses, à medida que a Copa do Mundo de 2026 aproxima o fechamento do ciclo mais aquecido de expansão do setor regulado no país.



