O contrato de patrocínio máster entre São Paulo e Superbet, fechado no início de 2025, ganhou nos últimos meses um número que muda a leitura do acordo: o valor fixo total garantido ao clube até 2030 chega a R$ 678 milhões, com potencial de superar R$ 1 bilhão em bônus por desempenho esportivo. O montante coloca a parceria entre os maiores contratos de patrocínio já assinados no futebol brasileiro, à frente até de rivais que também romperam recordes na última temporada.
A cifra difere do valor anual de R$ 95 milhões que o próprio Giro do Mercado já havia mostrado como o pagamento da Superbet ao clube na temporada 2026. Trata-se de outra métrica: a soma de todos os repasses fixos previstos entre 2025 e 2030, com reajuste anual pelo IPCA. Pelos valores detalhados na renovação, o repasse sai de R$ 78 milhões neste ano e chega a R$ 140 milhões no último ano de vigência, no qual o São Paulo completa o centenário de fundação.
Ao anunciar a renovação, o presidente-executivo da Superbet, Alexandre Fonseca, classificou o acordo como o maior já fechado no futebol nacional. “Acabamos de fechar o maior contrato de patrocínio da história do futebol brasileiro”, disse o executivo, em publicação sobre uma parceria que “pode chegar a R$ 1 bilhão nos próximos seis anos”.
A diferença entre o piso garantido e o teto do contrato ajuda a dimensionar o peso das metas esportivas na conta. Os R$ 322 milhões que separam os R$ 678 milhões fixos do bilhão projetado representam quase metade do valor já assegurado, um adicional de 47%, condicionado a títulos e classificações do São Paulo em competições nacionais e continentais até 2030.
Há também um salto em relação ao acordo anterior. A primeira parceria entre clube e casa de apostas, fechada em 2024, somava R$ 156 milhões em três temporadas, uma média de R$ 52 milhões por ano. Com a renovação, a média sobe para R$ 113 milhões por temporada ao longo dos seis anos de contrato, mais que o dobro do ciclo original, sem contar o valor variável.
O acordo também extrapola o espaço da camisa. Parte do investimento cobre metade do salário do meio-campista Oscar, reforço contratado no fim de 2024, prática que já aparece em outros contratos do gênero no Brasileirão e reforça como as bets vêm ocupando funções que antes cabiam só a patrocinadores tradicionais, da folha salarial a metas de performance.
O tamanho do contrato reposiciona o São Paulo no ranking de patrocínios do futebol brasileiro, hoje liderado pelo valor anual do Flamengo com a Betano, de R$ 268,5 milhões por temporada até 2028, como mostrou o Giro do Mercado em levantamento sobre os maiores contratos ativos da Série A. Comparado por temporada, o clube paulista ainda fica atrás do rival carioca, mas a diferença some quando o critério passa a ser o valor total do vínculo, hoje um dos mais longos do setor.
Para o mercado de patrocínio esportivo, o caso confirma uma tendência que já não se limita a Rio e São Paulo: bets estão dispostas a fechar contratos plurianuais com valores crescentes e cláusulas de bônus agressivas, apostando que o retorno de mídia e exposição de marca em clubes grandes compensa o investimento mesmo antes de qualquer título ser conquistado.



