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Legislação

PL 2470 entra na CCT do Senado com emendas até 18/8

PL 2470/2026, que veda propaganda e patrocínio de bets, foi distribuído à CCT do Senado em 11/8; prazo de emendas vai até 18 de agosto.

Por Camila Duprat 12 de agosto 4 min de leitura
Resumo PL 2470/2026, que veda propaganda e patrocínio de bets, foi distribuído à CCT do Senado em 11/8; prazo de emendas vai até 18 de agosto.
Fachada do Congresso Nacional em Brasília, com as cúpulas da Câmara e do Senado e as torres administrativas (Foto de arquivo (2019): fachada do Congresso Nacional, sem relação direta com a sessão específica do projeto de lei.)
Foto de arquivo (2019): fachada do Congresso Nacional, sem relação direta com a sessão específica do projeto de lei. (Foto: Senado Federal CC BY 2.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fachada_do_Congresso_Nacional_(48079664402).jpg)

O Projeto de Lei 2470/2026, que restringe propaganda e patrocínio de casas de apostas no Brasil, foi distribuído em 11 de agosto à Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado. O prazo para apresentação de emendas corre de 12 a 18 de agosto. Depois dessa etapa, o texto segue para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) antes de qualquer votação em Plenário.

Quem assina o projeto e o que ele muda na Lei das Bets?

Protocolado em 19 de maio e publicado no Diário Oficial um dia depois, o projeto é assinado por sete senadores: Damares Alves (Republicanos-DF), Izalci Lucas (PL-DF), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Marcos Pontes (PL-SP), Teresa Leitão (PT-PE), Humberto Costa (PT-PE) e Otto Alencar (PSD-BA). O texto altera a Lei 14.790/2023 para incluir proteção à saúde mental, ao consumidor e à economia familiar no ambiente das apostas de quota fixa e dos jogos online.

O que a proibição alcançaria na prática?

Pela proposta, ficaria vedada a publicidade e o patrocínio de bets em TV, rádio, streaming, redes sociais, uniformes esportivos e eventos, hoje entre os principais canais de aquisição de clientes usados por operadores licenciados no país. Essa lista de restrições já circula em análises sobre publicidade de apostas e as regras de exibição de alertas em peças publicitárias, tema que tende a se cruzar com a tramitação do PL 2470/2026 nas próximas semanas.

“As pessoas estão sobrecarregadas, inclusive, com a publicidade das bets de maneira geral”, afirma Pedro Campos (PSB-PE), presidente da Frente Parlamentar Mista de Promoção da Saúde Mental, à CartaCapital.

Qual é a base de apoio à proposta?

A campanha “Brasil Contra as Bets” foi lançada em 20 de maio, reunindo parlamentares de espectros ideológicos opostos em torno de uma plataforma própria de coleta de assinaturas, o site brasilcontrabets.org. Ao todo, a proposta reúne apoio de 27 parlamentares, sete senadores e 20 deputados, entre eles Benedita da Silva (PT-RJ), Tabata Amaral (PSB-SP), Duda Salabert (PSOL-MG) e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ).

Os parlamentares citam um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) para estimar o custo social anual do vício em apostas em mais de R$ 38 bilhões. Damares Alves afirmou ter recebido dado segundo o qual 41% dos evangélicos apostam online, dos quais 35% contraíram dívidas.

Um dos parlamentares por trás do projeto resumiu a preocupação ao Correio Braziliense: “Está acabando com a economia do país. Está acabando com a vida do pobre.”

Há uma frente paralela tramitando na Câmara?

Um projeto irmão, o PL 2478/2026, tramita em conjunto na Câmara dos Deputados, o que amplia o número de frentes que o setor precisa acompanhar simultaneamente enquanto o texto do Senado avança pelas comissões.

Existe um precedente recente no próprio Senado?

Antes do PL 2470/2026, um projeto anterior sobre o mesmo tema, o PL 3.563/2024, com relatoria também de Damares Alves, já havia sido aprovado pela CCT em 4 de fevereiro de 2026 e seguido para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na CCJ, é esperada a formação de um grupo de trabalho para analisar em conjunto essa proposta e outras correlatas em tramitação no Senado sobre publicidade de apostas, o que sugere que o texto de maio pode acabar sendo debatido ao lado dessa iniciativa mais antiga.

O que operadores e afiliados precisam monitorar agora?

  1. Acompanhar o prazo de emendas na CCT, aberto até 18 de agosto.
  2. Verificar se o relatório da CCT incorpora dispositivos do PL 3.563/2024 ou do grupo de trabalho previsto na CCJ.
  3. Monitorar a tramitação paralela do PL 2478/2026 na Câmara dos Deputados.
  4. Reavaliar contratos de patrocínio e planos de mídia que dependem de TV, rádio, streaming, redes sociais e uniformes esportivos, os canais citados no texto.

Campos afirma esperar que o projeto tramite com rapidez no Congresso ainda este ano, o que manteria o calendário de comissões apertado nas próximas semanas.

Camila Duprat
Quem escreve: Camila Duprat
Advogada especializada em direito do jogo e compliance regulatório. Acompanha a regulamentação das apostas no Brasil desde a Lei 14.790/2023 e escreve sobre o que muda na prática para operadoras e afiliados.