Urgente Portaria fixa três avisos obrigatórios em bets
Casas de Apostas

Autoexclusão de bets já soma 600 mil pedidos no país

De 217 mil pedidos em janeiro a 603 mil em junho, a autoexclusão centralizada de apostas exige resposta em até 72h das operadoras licenciadas.

Por Rodrigo Salgado 26 de agosto 4 min de leitura
Resumo De 217 mil pedidos em janeiro a 603 mil em junho, a autoexclusão centralizada de apostas exige resposta em até 72h das operadoras licenciadas.
Vista da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, sede do Ministério da Fazenda (Foto de arquivo da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, sem relação direta com o lançamento da plataforma de autoexclusão.)
Foto de arquivo da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, sem relação direta com o lançamento da plataforma de autoexclusão. (Foto: Senado Federal CC BY 2.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Esplanada_dos_Minist%C3%A9rios_-_50494787276.jpg)

Um mês depois de o Ministério da Fazenda colocar em pleno funcionamento a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, a Secretaria de Prêmios e Apostas já contabilizava mais de 217 mil pedidos de bloqueio voluntário partindo de apostadores que decidiram interromper, de uma só vez e em todas as casas de apostas autorizadas no país, o próprio acesso às plataformas de jogo, segundo dados do Ministério da Fazenda relativos a janeiro de 2026. O volume, que surpreendeu pela velocidade da adesão logo nas primeiras semanas de operação do serviço, era apenas o primeiro capítulo de uma curva de crescimento que a equipe responsável pela ferramenta passaria a acompanhar de perto ao longo do ano, à medida que mais apostadores descobriam a existência do mecanismo único de bloqueio. A procura não parou de crescer nos meses seguintes. Até maio de 2026, mais de meio milhão de pessoas já haviam utilizado a plataforma em algum momento, e em junho o total de pedidos de autobloqueio voluntário acumulados chegou a 603 mil, segundo o Ministério da Fazenda, um salto que praticamente triplicou, em menos de seis meses, o volume registrado no primeiro mês completo de operação do serviço. Lançada em pleno funcionamento em 10 de dezembro de 2025, conforme noticiou a CNN Brasil, a plataforma tem como principal diferencial bloquear simultaneamente todas as contas do usuário em casas de apostas autorizadas pela SPA/MF, e não apenas a conta de uma operadora isolada. O serviço está amparado em um arcabouço legal que reúne a Lei 13.756/2018, a Lei 14.790/2023, o Decreto 12.112/2024 e portarias editadas pela própria SPA/MF em 2024 e 2025, conjunto normativo que confere caráter obrigatório à adesão de todas as empresas licenciadas a operar apostas de quota fixa no país.

Na prática, o cadastro é feito pelo endereço gov.br/autoexclusaoapostas e exige que o apostador tenha conta gov.br nos níveis prata ou ouro. A partir daí, o usuário escolhe entre se afastar por um período determinado, que pode variar de um a doze meses, ou por prazo indeterminado; nessa segunda hipótese, ainda tem até um mês para cancelar a decisão caso mude de ideia. Do lado das operadoras, a adesão em massa transformou a plataforma em uma obrigação operacional que cresce na mesma proporção dos cadastros acumulados mês a mês. Assim que identifica a solicitação, cada casa de apostas licenciada tem até 72 horas para efetivar o bloqueio da conta correspondente, interrompendo o acesso do usuário e suspendendo o envio de qualquer publicidade direcionada a ele, além de impedir a abertura de novas contas em nome da mesma pessoa enquanto a autoexclusão estiver vigente, conforme detalha a Agência Brasil. A exigência de resposta em prazo curto se soma a outras frentes de fiscalização que a SPA vem reforçando neste ano, tema também tratado na reportagem sobre o bloqueio de bets que já atinge beneficiários do Bolsa Família e do BPC.

A ferramenta integra um conjunto mais amplo de medidas conduzido por um grupo de trabalho interministerial dedicado à saúde mental e à prevenção ao jogo problemático, que reúne os ministérios da Fazenda, da Saúde e do Esporte em torno de uma mesma agenda. Nesse mesmo esforço, o governo destinou R$ 12 milhões para pesquisas sobre saúde mental e jogos de apostas, enquanto todos os Centros de Atenção Psicossocial do país passaram a oferecer cuidado específico a pessoas com vício em apostas, somando-se ao atendimento que já era prestado pela rede do SUS a esse público. Ao anunciar o serviço, o secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena, deixou claro que o alcance da plataforma deve se ampliar para além do simples bloqueio de contas de apostas. “Será uma plataforma de múltiplas atividades, e não apenas de autoexclusão”, afirmou o secretário.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.