Urgente BSOP Millions traz 2ª Super High Roller Series em SP
Aposta Esportiva

Patrocínios de bets somam 7,9% da receita da Série A

Patrocínios de bets responderam por R$ 1,14 bilhão da receita dos clubes da Série A, mostra o InfoMoney, às vésperas do prazo para retirar patrocínios.

Por Rodrigo Salgado 29 de setembro 4 min de leitura
Resumo Patrocínios de bets responderam por R$ 1,14 bilhão da receita dos clubes da Série A, mostra o InfoMoney, às vésperas do prazo para retirar patrocínios.
Lance de jogo entre Fluminense e Botafogo pelo Brasileirão de 2013, com jogadores do Fluminense em uniforme listrado (Foto de arquivo: lance do Brasileirão de 2013, sem relação direta com os patrocínios atuais de bets.)
Foto de arquivo: lance do Brasileirão de 2013, sem relação direta com os patrocínios atuais de bets. (Foto: Rodrigo Prieto CC BY-SA 2.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fluminense_e_Botafogo_empatam_em_1-1_durante_o_Campeonato_Brasileiro_de_2013.jpg)

Nos escritórios financeiros dos 20 clubes da Série A, setembro chegou marcado por um prazo que reorganiza contratos e uniformes: as casas de apostas, agora proibidas de operar por medida provisória federal, têm até o dia 5 de outubro para retirar publicidade e placas de patrocínio dos clubes, tema que já vinha sendo discutido na disputa aberta no Senado sobre a publicidade do setor. O prazo expõe, em números, o tamanho do buraco que se abre no caixa do futebol brasileiro: segundo o InfoMoney, os patrocínios de bets corresponderam a 7,9% da receita total dos clubes da Série A em 2025, o equivalente a R$ 1,14 bilhão, e essa fatia agora precisa ser reposta ou simplesmente contabilizada como perda pelos departamentos financeiros dos clubes. Nada nisso é marginal para orçamentos que cresceram rápido nos últimos anos justamente com o apoio dessas empresas: apostas esportivas são patrocinadoras master de 14 dos 20 clubes da elite do futebol brasileiro em 2026. A retirada das marcas, prevista para as próximas semanas, chega justamente no momento em que os clubes reportam alta de 33% na receita total em um único ano.

Os números consolidados pela EY mostram a escala desse crescimento: a receita total dos 20 clubes somou R$ 14,9 bilhões em 2025, alta de 33% sobre o ano anterior, e um avanço de 73% quando a comparação recua até 2021, ano em que o futebol brasileiro ainda operava em um patamar bem menor de receita. Cinco clubes concentram quase metade desse total: Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense somam 49% da receita de quase R$ 15 bilhões gerada pelos 20 times da Série A, o que deixa os outros quinze clubes disputando a metade restante do bolo. Na composição dessa receita, as transferências de jogadores já respondem por R$ 3,9 bilhões, ou 26% do total, com alta de 45% sobre o ano anterior, enquanto direitos de transmissão e premiações somam R$ 4,9 bilhões e a receita de bilheteria caiu para 12% do total, ante 16% registrados nos três anos anteriores. É nesse quadro de receita em forte alta, ainda assim concentrada em poucos clubes, que o corte dos patrocínios de apostas se torna mais sensível para uma parte da Série A do que para outra.

A dependência, porém, não é distribuída de forma igual entre os clubes da Série A. Quatro deles ultrapassaram 10% de dependência da receita de apostas em 2025: o Corinthians lidera com 17,3%, seguido por Flamengo, com 12,71%, Sport, com 12,64%, e Juventude, com 10,49%. No Palmeiras, o patrocínio da Sportingbet no clube equivale a R$ 120 milhões anuais, ou 6,93% da receita do time. Esses números ajudam a dimensionar o tamanho do ajuste que os clubes mais dependentes de apostas terão de fazer nos próximos meses.

O impacto financeiro se soma a um quadro de endividamento que já vinha crescendo antes mesmo da mudança regulatória: a dívida total dos clubes da Série A somou R$ 14,3 bilhões em 2025, alta de 15% sobre o ano anterior. A distância entre os clubes, no entanto, é enorme. O Atlético-MG tem a maior relação entre dívida líquida e receita da Série A, em 3,44 vezes, enquanto Flamengo, com 0,42 vez, Fortaleza, com 0,66 vez, e Bahia, com 0,69 vez, têm as menores relações entre os clubes da Série A.

Nem toda receita extraordinária de 2025, porém, teve origem nas casas de apostas. O Fluminense, semifinalista da Copa do Mundo de Clubes, viu sua receita de transmissão e premiação crescer cerca de 247%, de R$ 167 milhões para R$ 580 milhões.

Para o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o cronograma apertado da retirada das marcas de apostas é o problema central para um clube que está entre os mais dependentes dessa receita. “A gente estima que as perdas imediatas de receita para o ano que vem sejam de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões e, sem um preparo prévio, é absolutamente impossível que você consiga estancar essa sangria”, afirmou o dirigente.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.