Doze dos 20 clubes da Série A do Brasileirão 2026 estampam o nome de uma casa de apostas como patrocinadora máster, segundo levantamento do Poder360, o que significa que, entre os uniformes que sobem ao gramado a cada rodada em busca de pontos e visibilidade, as bets respondem por 60% dos maiores contratos de patrocínio do futebol brasileiro. O número segue expressivo mesmo depois de um ano marcado por saídas relevantes de operadoras do topo da tabela, e ele confirma que, apesar de qualquer ajuste no volume de acordos, as apostas esportivas continuam ocupando o espaço mais valorizado do peito da camisa em clubes que somam algumas das maiores torcidas do país.
Esse total de 12 clubes patrocinados representa uma queda de 33% em relação à temporada anterior, quando 18 equipes da elite nacional mantinham contratos máster com operadoras de apostas, um recuo que reduz o alcance numérico das bets no campeonato sem, no entanto, retirá-las do topo da tabela de valores movimentados pelos patrocínios mais caros do esporte brasileiro. Para o mercado B2B que acompanha esses contratos de perto, a leitura relevante não está apenas na quantidade de camisas ocupadas, mas no fato de que, mesmo com seis parceiros a menos do que em 2025, as bets seguem concentrando os maiores cheques do futebol nacional, o que sugere uma seleção mais criteriosa de operadoras e clubes por parte de quem ainda investe nesse formato de patrocínio.
Seis clubes que carregavam o nome de uma bet no peito em 2025, Vasco, Grêmio, Internacional, Coritiba, Bahia e Santos, encerraram as parcerias e ainda não anunciaram substitutas para a temporada atual, o que ajuda a explicar a diferença entre os 18 contratos do ano passado e os 12 que seguem vigentes agora. RB Bragantino e Mirassol, por sua vez, ficam fora dessa conta por um motivo distinto, já que mantêm patrocinadores de outros setores estampados na camisa principal, Red Bull e Guaraná Poty, respectivamente.
No topo dessa lista está o contrato que o Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou em 19 de agosto de 2025 com a Betano, válido até 31 de dezembro de 2028 e avaliado em R$ 268,5 milhões por ano, considerado o maior patrocínio máster da história do futebol brasileiro. Ao longo dos três anos e quatro meses de vigência, o acordo soma R$ 895 milhões em valores fixos, quantia que corresponde a 2,6 vezes o contrato do Corinthians e a 2,7 vezes o do Palmeiras, os dois clubes paulistas que também figuram entre os maiores patrocínios do país. A Betano substituiu a PixBet no manto rubro-negro, estampando não apenas o uniforme masculino principal, mas também materiais das modalidades olímpicas e do futebol feminino do clube.
Atrás do Flamengo aparecem contratos como o da Esportes da Sorte com o Corinthians, de R$ 103 milhões ao ano, e o da Sportingbet com o Palmeiras, de R$ 100 milhões ao ano, valores que sustentam a média elevada dos acordos entre bets e clubes de torcida numerosa. Completam a lista de patrocínios máster com apostas Botafogo (Vbet), Fluminense (Superbet), Chapecoense (Zeroum), Athletico (Viva Sorte Bet), São Paulo (Superbet), Atlético-MG (H2bet), Cruzeiro (Betnacional), Vitória (7k) e Remo (Vaidebet), um conjunto que reúne clubes de diferentes regiões e tamanhos de mercado, do Sul ao Norte do país, e que reforça a leitura de que o interesse das operadoras não se limita mais apenas aos gigantes de maior audiência. O Giro do Mercado já detalhou um desses acordos, o da Superbet com o São Paulo, em reportagem sobre a movimentação da operadora no futebol nacional.
Para Amir Somoggi, especialista em marketing esportivo da consultoria Sports Value, a retração no número de clubes patrocinados por bets em 2026 reflete uma correção de mercado, já que as operadoras pagaram valores acima do proporcional em anos recentes sem obter retorno equivalente, um ajuste que tende a favorecer contratos mais concentrados e de maior porte, como o do próprio Flamengo, em vez da pulverização observada nas temporadas anteriores.
Já o professor de marketing esportivo Ivan Martinho, da ESPM, em análise publicada pela IstoÉ Dinheiro, atribui o movimento a uma mudança de fase no setor, avaliação que caminha na mesma direção da leitura de Somoggi sobre a busca por eficiência nos investimentos. “casas de aposta entraram de forma muito agressiva, buscando escala… Agora, com um ambiente regulatório mais claro, mais impostos e maior pressão por eficiência, a lógica mudou”, afirma Martinho.



