Na tarde do domingo, 4 de outubro de 2026, o Atlético-MG oficializou o fim do patrocínio máster com a H2bet, encerrando uma parceria que ocupava o espaço mais valorizado da camisa alvinegra desde dezembro de 2024. A marca da casa de apostas também estampava os materiais de treino, o uniforme do time feminino e o canal do clube no YouTube, uma presença ampla que agora precisa ser desmontada em praticamente todas as frentes visuais do Galo. O rompimento, que tira do Atlético o maior contrato comercial de sua história recente, obriga o clube a sair à procura de um novo patrocinador para o espaço principal do uniforme justamente quando o calendário da temporada já está em curso.
O calendário do desmonte, porém, já estava em andamento antes mesmo do anúncio formal. O último jogo em que a marca H2bet apareceu na camisa do Atlético foi a vitória por 1 a 0 sobre o RB Bragantino, na MRV Arena, em 3 de outubro de 2026, véspera da nota oficial. Depois disso, o clube teve até as 23h59 de 5 de outubro de 2026 para remover qualquer referência visual à apostadora de seus uniformes, estruturas e materiais, um prazo apertado que deixou pouco espaço para negociação de uma transição mais longa.
O tamanho financeiro do que se perde ajuda a entender por que a notícia pesou tanto dentro do clube. Segundo apuração da Lance!, o contrato previa um valor fixo de R$ 180 milhões distribuídos ao longo de três temporadas, o equivalente a cerca de R$ 60 milhões por ano, sem contar bônus por metas esportivas que poderiam elevar o total a R$ 200 milhões até 2027, conforme apurou a Placar. São números que colocavam o patrocínio da H2bet entre os mais robustos do futebol brasileiro, e que agora somem do caixa do clube de uma só vez.
Para medir o que esse valor representava na prática, basta compará-lo ao próprio elenco que ele ajudava a sustentar. Os R$ 180 milhões fixos do contrato superavam o valor de mercado somado de três jogadores do time titular do Atlético, Renan Lodi, Victor Hugo e Cuello, estimado em cerca de R$ 160 milhões. Dito de outra forma, o clube perdeu de uma tacada um montante maior do que o preço de tabela do trio mais caro de seu plantel, um buraco que não se tapa simplesmente trocando de patrocinador.
A conta também aparece quando se olha para o orçamento inteiro do clube. Os R$ 60 milhões anuais pagos pela H2bet representavam 7,8% da receita de R$ 768 milhões que o Atlético registrou em 2025, uma fatia que não é a maior do balanço, mas que também não é marginal o suficiente para ser absorvida sem planejamento. É esse peso, somado à urgência do prazo de remoção das marcas, que torna o caso do Atlético um retrato do impacto imediato da nova legislação sobre o futebol brasileiro, tema que já havia atingido outros clubes, como mostrou a troca da VBet pelo Camisa 7 no uniforme do Botafogo.
A origem de tudo está na Medida Provisória 1.394/2026, assinada pelo presidente Lula em 25 de setembro de 2026, que proíbe a exploração, a oferta e a publicidade de apostas esportivas e de jogos online em todo o território nacional. As autorizações já concedidas às operadoras se extinguem 30 dias após a publicação do texto, prazo que se encerra em 25 de outubro de 2026, o que explica a pressa com que clubes e apostadoras têm encerrado contratos que, até poucas semanas atrás, pareciam garantidos até 2027.
Foi justamente a esse marco regulatório que a H2bet recorreu para justificar a rescisão. Em comunicado divulgado no próprio domingo, 4 de outubro de 2026, às 16h39, a empresa afirmou: “O H2bet informa o encerramento de sua parceria de patrocínio com o Clube Atlético Mineiro, em decorrência das restrições estabelecidas pela Medida Provisória do Governo.”



