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Apostas rendem R$ 7,284 bi ao governo no 1º semestre

Receita Federal apresenta arrecadação recorde com bets em 2026 e escalada da alíquota sobre o GGR indica que o próximo salto ainda está por vir.

Por Rodrigo Salgado 12 de agosto 3 min de leitura
Resumo Receita Federal apresenta arrecadação recorde com bets em 2026 e escalada da alíquota sobre o GGR indica que o próximo salto ainda está por vir.
Fachada de agência local da Receita Federal do Brasil, em Campo Maior (PI) (Foto de arquivo: agência da Receita Federal do Brasil em Campo Maior (PI), sem relação direta com o balanço do 1º semestre.)
Foto de arquivo: agência da Receita Federal do Brasil em Campo Maior (PI), sem relação direta com o balanço do 1º semestre. (Foto: Wikimedia Commons contributor CC BY-SA 4.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Agência_da_Receita_Federal_de_Campo_Maior,_Piauí,_Brasil.JPG)

Sete bilhões, duzentos e oitenta e quatro milhões de reais: foi esse o valor que a tributação sobre jogos de azar e apostas de quota fixa depositou nos cofres da União entre janeiro e junho de 2026, número apresentado pela Receita Federal em coletiva de imprensa na quinta-feira, 30 de julho, conduzida pelos auditores fiscais Claudemir Malaquias e Marcelo Gomide. O encontro com jornalistas aconteceu na sala 742 do prédio-sede do Ministério da Fazenda, no Bloco P da Esplanada dos Ministérios, com transmissão ao vivo pelo canal do ministério no YouTube.

O que chama atenção não é apenas o total fechado no fim do semestre, mas o ritmo com que ele foi construído. Já nos dois primeiros meses de 2026, a arrecadação com casas de apostas havia saltado 236% sobre o mesmo período de 2025, evidenciando que a aceleração começou cedo no ano.

Mês a mês, a curva também conta a história de uma indústria que amadureceu sob fiscalização mais apertada. Janeiro respondeu por R$ 1,49 bilhão, fevereiro por R$ 1,04 bilhão, março por R$ 859 milhões, abril por cerca de R$ 1,19 bilhão, maio por aproximadamente R$ 1,3 bilhão e junho fechou em R$ 1,385 bilhão, ante R$ 900 milhões no mesmo mês do ano anterior. A sequência mostra oscilação entre os meses, com recuos em fevereiro e março antes de a arrecadação voltar a subir a partir de abril.

Parte dessa ampliação é atribuída à própria consolidação da regulamentação do mercado de apostas, que trouxe para dentro do sistema formal operações que antes escapavam do radar fiscal, alargando a base sobre a qual o imposto incide, ainda que mais operadores tenham sido autorizados a funcionar legalmente no país ao longo do período, um movimento acompanhado de perto em outra reportagem do Giro do Mercado.

É nesse contexto que a trajetória da alíquota sobre o GGR ganha peso como variável a observar. Ela subiu de 12% para 13% já em 2026, com previsão de alcançar 14% em 2027 e 15% em 2028, segundo apuração do Poder360. A CNN Brasil registrou arrecadação de R$ 7,3 bilhões com jogos de azar e apostas no semestre, alta que acompanha a escalada da alíquota sobre o GGR prevista para os próximos anos, segundo a CNN Brasil.

Esse tipo de divulgação periódica de dados não nasceu com o balanço de junho: em agosto de 2025, quando a Secretaria de Prêmios e Apostas publicou seu primeiro relatório semestral sobre o setor regulado, o secretário Regis Dudena já defendia o valor de expor números concretos ao debate público. “Este balanço tem uma importância fundamental para a regulação. São dados concretos sobre a atuação regulatória, cobrindo temas como fiscalização e controle, além dos primeiros números, que refletem a realidade e não apenas estimativas. A partir de agora, o debate sobre o mercado de apostas de quota fixa no Brasil pode ser pautado por elementos ainda mais sólidos, possibilitando avançar a regulação baseada em evidências”, afirmou Dudena.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.