O mercado regulado de apostas de quota fixa fechou o primeiro semestre de 2026 com um GGR de R$ 20,07 bilhões, resultado obtido via Lei de Acesso à Informação junto à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que confirma a trajetória de expansão do setor sob o novo arcabouço regulatório. O valor representa alta de 15,3% sobre os R$ 17,4 bilhões contabilizados no mesmo intervalo de 2025, quando as operadoras ainda se ajustavam às primeiras exigências da regulamentação federal. Para quem acompanha o setor pelo lado do negócio, o número interessa menos como marca isolada do que como confirmação de que a receita bruta das casas de apostas segue crescendo de forma consistente, mesmo com o calendário de aumentos tributários já em curso desde o início do ano.
Somado aos R$ 377,86 bilhões devolvidos aos apostadores em prêmios ao longo do período, o turnover total apostado entre janeiro e junho de 2026 chega a cerca de R$ 397,9 bilhões, uma cifra que dá dimensão ao volume de dinheiro que circula pelas plataformas licenciadas no país. Desse total, o retorno médio ao apostador, o chamado RTP, ficou próximo de 95%, o que equivale a dizer que o setor reteve, em média, cerca de 5% de tudo o que foi apostado no semestre. Esse crescimento não veio apenas de apostas individuais maiores, já que o número de apostadores ativos, medido por CPFs únicos, somou 30,9 milhões entre janeiro e junho, um avanço de 2,77 milhões de contas em relação ao mesmo intervalo de 2025. Na prática, cada apostador ativo gastou em média R$ 649,60 ao longo do semestre, o equivalente a R$ 108,27 por mês, um indicador que operadoras e investidores costumam usar para calibrar projeções de receita por usuário.
O dado que mais interessa ao público B2B, no entanto, é o descompasso entre o ritmo de crescimento do mercado e o da arrecadação tributária que incide sobre ele. Enquanto o GGR semestral avançou 15,3%, a arrecadação federal com o imposto sobre o GGR das bets somou R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 90,76% frente aos R$ 3,8 bilhões apurados no mesmo período de 2025. Parte dessa diferença tem explicação direta na política tributária adotada pelo governo, já que a alíquota sobre o GGR subiu de 12% para 15% em 2026, com novos aumentos programados até chegar a 18% em 2028. A arrecadação federal combinada de IOF, JCP e bets cresceu cerca de R$ 18,1 bilhões no primeiro semestre, sinal de que as apostas esportivas já pesam de forma perceptível na conta fiscal da União. Em outra janela de tempo, mais curta e mais recente na série histórica, a Receita Federal registrou alta de 236% na arrecadação com casas de apostas no primeiro bimestre de 2026, período em que o total somou R$ 2,5 bilhões ante R$ 756 milhões apurados no mesmo bimestre do ano anterior.
Esse crescimento de receita acompanha a expansão do número de agentes autorizados a operar no país sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas. O mercado regulado contava com 87 operadoras autorizadas no primeiro semestre de 2026, distribuídas em 188 marcas licenciadas para atuar no Brasil, estrutura que reflete o trabalho de habilitação conduzido pelo órgão desde a entrada em vigor da regulamentação federal. Do GGR gerado nesses seis meses, R$ 2,49 bilhões, o equivalente a 12,4% do total, foram destinados a políticas públicas previstas em lei, e o esporte foi o maior beneficiário dessa fatia, recebendo R$ 870,15 milhões dos recursos repassados pelo setor no período.
A distribuição mensal do GGR ao longo do semestre também mostra oscilação relevante para quem planeja orçamento e metas trimestrais: janeiro foi o mês de pico, com R$ 4,29 bilhões movimentados pelas operadoras, enquanto junho registrou o menor volume da série, R$ 3,34 bilhões. A média mensal do período ficou em R$ 3,35 bilhões, patamar que já serve de referência para projeções de receita nos próximos semestres. O perfil do apostador ativo também ficou mais claro nos dados levantados pela SPA: a base cresceu cerca de 9,8% em seis meses, saindo de 28,13 milhões para o total de apostadores ativos já mencionado, com 68,47% de homens e 31,53% de mulheres, concentrados na faixa etária de 31 a 40 anos, que respondeu por 28,95% do total de apostadores ativos no país.
Ao comentar esse salto na arrecadação do primeiro bimestre, a Receita Federal disse: “O salto está associado à consolidação da regulamentação do mercado de apostas de quota fixa, com a entrada em vigor das regras para a operação regular das empresas no país.”



