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Mercados de Previsão

Eleição 2026 iguala volume da França na Polymarket

Mercado sobre a eleição brasileira soma US$ 115,7 milhões na Polymarket e empata com o volume da eleição presidencial francesa.

Por Fernanda Kato 24 de julho 3 min de leitura
Resumo Mercado sobre a eleição brasileira soma US$ 115,7 milhões na Polymarket e empata com o volume da eleição presidencial francesa.
Urna eletrônica brasileira modelo UE2020 sobre uma mesa
Foto: TSE - Tribunal Superior Eleitoral, domínio público, via Wikimedia Commons

Consultado diretamente na madrugada deste sábado (25), o mercado “Brazil Presidential Election” da Polymarket somava US$ 115,72 milhões em volume negociado sobre o resultado da eleição presidencial brasileira de outubro. Lula aparecia com 61,5% de probabilidade implícita de vitória, Flávio Bolsonaro em segundo com 22,85% e Renan Santos na sequência, com 11,9%. Como qualquer contrato negociado em bolsa, esses números mudam a cada operação e valem para o instante da consulta, não como previsão fechada.

O bloqueio determinado pela Resolução CMN nº 5.298 segue em vigor e impede o acesso de usuários brasileiros à plataforma, como o Giro do Mercado já detalhou ao mapear o funcionamento do mercado de previsão no país após o veto. Isso não impede que traders de fora do território continuem posicionando capital sobre o pleito brasileiro: o contrato foi aberto em 18 de setembro de 2025 e nunca parou de receber ordens, segundo os registros públicos da própria exchange.

A eleição presidencial não é o único produto sobre o Brasil na grade da Polymarket. A plataforma lista hoje 33 mercados distintos ligados ao país, incluindo disputas de governo em pelo menos treze estados, a composição do Senado e da Câmara dos Deputados, decisões do Banco Central sobre juros, o PIB do segundo trimestre e até a permanência de ministros do STF no cargo. Nenhum desses outros contratos chega perto do volume do pleito presidencial: o segundo colocado da grade, que aposta em quem fica em segundo lugar no primeiro turno, soma US$ 4,26 milhões, menos de 4% do que já circula só na disputa pelo Planalto.

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Colocado ao lado de outras eleições nacionais na mesma casa de apostas, o contrato brasileiro ocupa uma posição curiosa. Seu volume é praticamente idêntico ao do mercado sobre a próxima eleição presidencial da França, que soma US$ 115,87 milhões, e supera com folga disputas como a sucessão do primeiro-ministro de Israel (US$ 29,1 milhões) ou o Parlamento russo (US$ 15,9 milhões). Fica, porém, muito atrás dos contratos sobre a corrida presidencial americana de 2028, que somam centenas de milhões de dólares cada um, reflexo do público doméstico muito maior que a Polymarket atrai nos Estados Unidos.

Vale comparar com o retrato que o Giro do Mercado havia flagrado há oito dias, quando o volume estava em US$ 113,37 milhões e Renan Santos tinha 8,25% de probabilidade implícita. O crescimento do volume total nesse intervalo foi modesto, pouco mais de 2%, mas a posição de Renan Santos subiu de forma mais visível, sinal de que o terceiro lugar da corrida segue em disputa entre os traders que operam o contrato, ainda que Lula e Flávio Bolsonaro continuem concentrando a maior parte das posições.

Não há, até o fechamento desta edição, qualquer sinalização da Fazenda ou do Banco Central sobre revisão do veto às plataformas antes de outubro. Para quem acompanha o setor de iGaming e apostas no Brasil, o dado funciona menos como termômetro de intenção de voto e mais como indicador de quanto capital estrangeiro segue disposto a precificar o resultado de uma eleição à qual não tem acesso direto por vias regulamentadas no país de origem do próprio pleito.

Fernanda Kato
Quem escreve: Fernanda Kato
Analista de produto e dados de iGaming. Escreve sobre cassino online, apostas esportivas, loteria e eSports com foco em tecnologia e comportamento do mercado.
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