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Mercados de Previsão

Eleição 2026 já soma US$ 113 mi em mercado de previsão

Mesmo bloqueadas no Brasil, Polymarket e Kalshi já negociaram mais de US$ 113 milhões apostando na eleição presidencial de outubro.

Por Fernanda Kato 17 de julho 4 min de leitura
Resumo Mesmo bloqueadas no Brasil, Polymarket e Kalshi já negociaram mais de US$ 113 milhões apostando na eleição presidencial de outubro.
Skyline do Rio de Janeiro com o edifício do Banco Central do Brasil ao fundo, entre outros arranha-céus e a Baía de Guanabara
Edifício do Banco Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Foto: FG fotos, licença CC0, via Wikimedia Commons.

Ainda impedidas de operar no Brasil, as maiores plataformas globais de mercado de previsão continuam precificando o resultado da eleição presidencial de outubro. Consultado diretamente na madrugada desta sexta-feira (17), o mercado “Brazil Presidential Election” do Polymarket somava US$ 113,37 milhões em volume negociado, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cotado a 60,5% de probabilidade implícita de vitória e o senador Flávio Bolsonaro em segundo lugar, com 25,75%.

Os números vêm diretamente da própria plataforma, que atualiza o preço dos contratos em tempo real conforme usuários no exterior compram e vendem posições. Atrás dos dois nomes mais negociados aparece a direita fragmentada fora do núcleo bolsonarista: Renan Santos soma 8,25% de probabilidade implícita, Ronaldo Caiado tem 1,25% e Romeu Zema fica com 0,65%. Nenhum outro pré-candidato listado passa de 2%.

A leitura desses percentuais pede cautela. Diferente de uma pesquisa eleitoral, a probabilidade implícita de um mercado de previsão reflete o preço que traders topam pagar por um contrato que só se valoriza se aquele nome vencer a eleição, não uma amostragem de intenção de voto. É por isso que o número do Polymarket para Lula, acima de 60%, não coincide com o porcentual que ele registra em levantamentos de primeiro turno: a pesquisa Genial/Quaest divulgada em 15 de junho apontava 40% para Lula e 28% para Flávio, enquanto o CNT/MDA, com coleta entre 10 e 14 de junho, media 41,8% a 28,2%. Nos dois institutos, porém, a vantagem petista se amplia num eventual segundo turno, cenário em que o CNT/MDA já projetava 49,3% a 36,8%, o que ajuda a explicar por que o mercado global embute uma probabilidade de vitória final bem mais folgada do que a distância registrada no primeiro turno.

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O bloqueio segue formalmente em vigor. Desde 4 de maio, a Resolução CMN nº 5.298 veda a oferta desse tipo de contrato a usuários brasileiros, e a lista de 27 sites vetados pela Fazenda inclui Polymarket e Kalshi ao lado de iniciativas nacionais como Prévias e Palpitada, como o Giro do Mercado já detalhou ao mapear como o mercado de previsão opera no país após o veto.

O volume negociado tem trajetória própria e crescente. Em abril, quando a resolução ainda nem completava uma semana em vigor, o jornal O Tempo registrava cerca de US$ 60 milhões apostados na eleição brasileira via Polymarket. Três meses depois, esse total quase dobrou, mesmo com o acesso à plataforma mantido fora do ar pela Anatel no país. A curva lembra a de outro contrato que também bateu recorde: o mercado de previsão sobre o campeão da Copa do Mundo, que superou US$ 4 bilhões somados entre Polymarket e Kalshi.

Para o setor de iGaming brasileiro, o dado funciona como termômetro de uma demanda que a proibição não elimina, apenas desloca para fora das fronteiras regulatórias. Quem insiste em negociar contratos sobre o pleito de outubro depende de VPN ou de conta aberta em corretora estrangeira, o que segue fora do alcance direto de reguladores e operadores locais. O tema já havia sido tratado em detalhe quando o Giro do Mercado explicou o que a Resolução CMN 5.298 significa para esse segmento no país.

Até o fechamento desta edição, não havia sinalização da Fazenda ou do Banco Central sobre eventual revisão do veto antes da eleição de outubro. Os valores citados neste texto refletem dado público de mercado sujeito a oscilação diária e não constituem recomendação nem convite ao acesso a plataformas bloqueadas no país.

Fernanda Kato
Quem escreve: Fernanda Kato
Analista de produto e dados de iGaming. Escreve sobre cassino online, apostas esportivas, loteria e eSports com foco em tecnologia e comportamento do mercado.
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