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Operação Slots: PF bloqueia R$ 951 mi em bets

PF deflagra Operação Slots com apoio da SPA, bloqueia R$ 951,1 mi e mira uso de influenciadores em bets ilegais ligadas ao tráfico.

Por Rodrigo Salgado 22 de julho 3 min de leitura
Resumo PF deflagra Operação Slots com apoio da SPA, bloqueia R$ 951,1 mi e mira uso de influenciadores em bets ilegais ligadas ao tráfico.
Fachada da sede da Polícia Federal em Brasília
Sede da Polícia Federal, em Brasília. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado (CC BY 2.0)

A Polícia Federal deflagrou na manhã de 15 de julho a Operação Slots, com apoio técnico da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, contra um grupo suspeito de usar sites ilegais de apostas para lavar dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Por decisão judicial, foram bloqueados bens e valores que podem chegar a R$ 951,1 milhões, além da apreensão de um imóvel de alto padrão e de veículos de luxo.

A ação é distinta da Operação Véu de Maia, deflagrada dois dias antes contra 87 empresas suspeitas de servir de laranja para operadores irregulares. As duas apuram lavagem de dinheiro no ecossistema de apostas ilegais, mas tratam de grupos, valores e mandados diferentes.

Segundo o Ministério da Fazenda, a Operação Slots cumpriu 14 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária, expedidos pela 2ª Vara Criminal de Vitória (ES) e executados no Espírito Santo, em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Paraná, na Paraíba e em Sergipe. Os investigados estão proibidos de promover plataformas de apostas irregulares, e as empresas ligadas ao esquema tiveram as atividades suspensas.

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De acordo com a apuração, o grupo recrutava influenciadores digitais para divulgar sites sem autorização para operar no Brasil, enquanto o dinheiro dos apostadores era direcionado a empresas de fachada criadas para dificultar o rastreamento. A Fazenda também identificou que as plataformas exibiam símbolos e referências ao Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP) e ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) para simular regularidade perante o público, sem qualquer autorização real para operar.

Esse detalhe importa para o mercado licenciado: o uso indevido de selos e referências a sistemas oficiais de fiscalização é um vetor de risco reputacional que extrapola o grupo investigado, e reforça por que operadoras e casas de afiliados têm sido cobradas a auditar com mais rigor os criadores de conteúdo que promovem suas marcas, evitando qualquer associação, ainda que indireta, com sites clandestinos.

A Fazenda confirmou que a Operação Slots é a terceira ação do mês com apoio técnico da SPA para combater apostas on-line ilegais, contando a Véu de Maia entre as anteriores. O ritmo mostra que a fiscalização sobre o mercado clandestino tem sido constante ao longo de julho, num momento em que o segmento autorizado soma 82 empresas licenciadas e 188 marcas registradas pela SPA.

Para o setor regulado, a sucessão de operações funciona como sinalização de que o Estado está diferenciando, na prática, quem opera sob licença de quem se apoia em fintechs de fachada e influenciadores para captar apostador sem autorização. Isso também eleva o piso de diligência esperado de operadoras e agências de marketing na checagem de parceiros e embaixadores de marca, um ponto que já vinha sendo tratado pela nova regra de responsabilização de afiliados.

As fontes oficiais não identificaram nominalmente investigados nem a organização criminosa à qual o esquema estaria ligado. Segundo a apuração, os investigados podem responder por exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.
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