Entre janeiro e abril de 2026, o mercado regulado de apostas recolheu R$ 4,5 bilhões em impostos federais, praticamente o dobro dos R$ 2,2 bilhões arrecadados no mesmo período de 2025, um salto que resume, em um único número, a velocidade com que o setor amadureceu depois do primeiro ano completo de regulamentação. O dado chama atenção não apenas pela magnitude do crescimento, mas porque foi obtido em apenas quatro meses, um recorte curto o suficiente para que qualquer operadora ou afiliado avalie se o ritmo de expansão observado no início de 2026 é sustentável ao longo do restante do ano.
A comparação que melhor ilustra essa aceleração, no entanto, não é com o mesmo período do ano anterior, mas com o semestre inteiro de 2025: os R$ 4,5 bilhões arrecadados em apenas quatro meses de 2026 já superam o total de R$ 3,8 bilhões recolhido ao longo de todo o primeiro semestre do ano passado, o que evidencia que o setor está contribuindo tributariamente em ritmo mais rápido do que crescia há doze meses. Levando em conta que a carga tributária representa cerca de 37% da receita das empresas, esse volume de impostos indica um faturamento estimado em R$ 12,2 bilhões apenas no primeiro quadrimestre, uma fração já expressiva dos R$ 36,9 bilhões que a indústria de apostas movimentou em receita ao longo de todo o ano de 2025.
Ampliando o horizonte para o primeiro semestre completo de 2026, a arrecadação federal com bets chegou a R$ 7,3 bilhões, alta de 90,76% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados consolidados pela CNN Brasil. Parte desse avanço decorre do aumento da alíquota sobre o GGR (Gross Gaming Revenue) das casas de apostas, que subiu de 12% para 15% em 2026 e tem nova elevação prevista para 18% em 2028. A própria Receita Federal, contudo, pondera que não é correto atribuir todo o crescimento da arrecadação apenas à alíquota maior, já que outros fatores influenciam o desempenho do setor, embora reconheça que boa parte do aumento provavelmente decorre justamente dela.
O salto fica ainda mais evidente quando se olha para o início da regulamentação: em 2025, a arrecadação tributária ligada às bets somou R$ 6,8 bilhões no ano fechado, ante apenas R$ 38 milhões em 2024, alta de cerca de 17.000% em um único ciclo, conforme apurou o InfoMoney. Essa trajetória ajuda a explicar por que os R$ 4,5 bilhões do quadrimestre já se aproximam do que setores tradicionais como tabaco e agricultura recolhem em impostos, cada um na casa de R$ 1 bilhão por mês, colocando as apostas esportivas em patamar comparável a indústrias consolidadas há décadas na base tributária brasileira.
Do lado regulatório, o Ministério da Fazenda concedeu 85 licenças para operar apostas no país, totalizando 187 plataformas autorizadas, com dez marcas concentrando 68,8% do mercado ao final de 2025. A Betano lidera com 23% da receita, seguida por Bet365, SportingBet, Esportes da Sorte e Superbet na disputa pelas primeiras posições. Essa base de operadores já movimentou cerca de 25 milhões de CPFs que fizeram apostas no Brasil em 2025, segundo o próprio ministério, um universo de usuários que dá escala ao salto de arrecadação registrado neste início de 2026.
Nem todo o dinheiro apostado no país, porém, passa pelo circuito regulado. Plataformas ilegais respondem por cerca de 40% da atividade total do setor no Brasil, tendo movimentado mais que o dobro do volume das empresas regularizadas no início de 2025, segundo o InfoMoney. “Se o objetivo é aumentar arrecadação, a medida mais eficiente seria eliminar o mercado ilegal”, diz um trecho do levantamento, argumento que reforça por que operadoras licenciadas cobram do governo mais rigor no combate a sites não autorizados como caminho para elevar ainda mais a base tributária do setor.
O peso do mercado regulado também aparece fora da arrecadação fiscal, no patrocínio esportivo: todos os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro tinham contrato com casas de apostas em 2025, com 90% delas estampando marcas de bets como patrocinador master. O contrato do Flamengo com a Betano, avaliado em cerca de R$ 268 milhões por ano, era o acordo de patrocínio mais valioso do país no período, um indicador de quanto capital o setor já injeta em outras cadeias econômicas além da arrecadação direta de impostos.
Para o CEO da InPlaySoft, Alex Rose, esse conjunto de números resume o saldo do primeiro ano e meio de regulamentação no país. “O setor impactou positivamente o país com geração de empregos, investimentos no esporte e bilhões de reais em impostos”, afirma o executivo.



