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Apostas: setor gera 15,5 mil empregos e projeta alta de 20%

Setor regulado gerou 15,5 mil empregos desde 2025 e projeta alta de 20% em 2026, com mão de obra qualificada e salários acima da média nacional.

Por Rodrigo Salgado 14 de agosto 4 min de leitura
Resumo Setor regulado gerou 15,5 mil empregos desde 2025 e projeta alta de 20% em 2026, com mão de obra qualificada e salários acima da média nacional.
Sala de apostas esportivas com telas de odds no MGM Grand, em Las Vegas (Foto de arquivo: sala de apostas esportivas do MGM Grand, Las Vegas (2008), usada apenas como ilustração do setor de apostas.)
Foto de arquivo: sala de apostas esportivas do MGM Grand, Las Vegas (2008), usada apenas como ilustração do setor de apostas. (Foto: Chad Davis CC BY 2.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sports_betting_at_MGM_Grand_Las_Vegas.jpg)

Nas salas de atendimento ao cliente, nos times de compliance e nos escritórios de tecnologia das operadoras licenciadas, o mercado regulado de apostas esportivas montou, em pouco mais de um ano, uma estrutura de emprego que já rivaliza com setores tradicionais da economia brasileira. Desde a entrada em vigor das regras, em janeiro de 2025, o setor gerou 10 mil empregos diretos e mais 5.500 indiretos, segundo levantamento reproduzido pelo InfoMoney a partir do balanço oficial da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. O número consolida um ano em que a formalização de vagas passou a ocupar espaço central na política pública para o setor, ao lado da fiscalização e do combate às plataformas ilegais.

A expansão não se limitou a contratações genéricas. O setor formalizou 67 novas ocupações ligadas à cadeia das apostas, do desenvolvimento de produtos à prevenção de fraudes, e o perfil da mão de obra também chama atenção de quem acompanha o mercado pelo lado B2B. Segundo o mesmo levantamento, 53% dos trabalhadores do setor têm ensino superior e 63,8% recebem mais de quatro salários mínimos, patamar acima da média nacional. A folha de pagamento direta do setor soma R$ 460 milhões por ano, com mais R$ 87 milhões em encargos sociais recolhidos pelas operadoras licenciadas.

Esse gasto com pessoal se conecta a um efeito multiplicador mais amplo sobre a economia. De acordo com reportagem do InfoMoney, cada R$ 1 investido pelo setor de apostas gera até R$ 3,74 em demanda adicional na economia. “A regulação acelerou a maturação do mercado”, resumiu Marco Túlio, CEO da Ana Gaming, ao comentar o balanço. A avaliação do executivo se soma à expectativa de crescimento adicional de cerca de 20% no mercado regulado em 2026, projeção também citada no mesmo levantamento.

O porte do mercado brasileiro ajuda a contextualizar essas projeções. O país encerrou 2025 como o quinto maior mercado de apostas do mundo, com faturamento estimado em US$ 4,139 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 22 bilhões. Operadores licenciados investiram R$ 7,5 bilhões em capital social para atuar no país, enquanto o setor recolheu R$ 3 bilhões em impostos federais e movimentou mais de R$ 30 bilhões em receita bruta de jogos (GGR) apenas entre janeiro e setembro de 2025.

O balanço oficial da SPA detalha ainda a arrecadação ao longo do primeiro ano completo de regras. Entre janeiro e novembro de 2025, o setor recolheu R$ 8,8 bilhões em tributos federais e destinações legais, além de R$ 2,5 bilhões em taxas de outorga e R$ 95,5 milhões em taxas de fiscalização. No mesmo levantamento, a receita bruta de jogos do setor regulado somou R$ 37 bilhões em 2025.

Um levantamento distinto, publicado pelo Correio Braziliense, mostra a mesma tendência de fortalecimento do mercado formal. O governo federal arrecadou R$ 9,95 bilhões em impostos do setor de apostas ao longo de 2025, enquanto a participação do mercado ilegal caiu de uma faixa de 41%-51% em junho de 2025 para 38%-44% no primeiro semestre de 2026. Cada plataforma licenciada paga, além dos tributos correntes, uma outorga de 30 milhões de reais aos cofres públicos para operar no país.

O número de empresas autorizadas também cresceu ao longo do ano: o mercado regulado terminou 2025 com 79 operadoras licenciadas para atuar no Brasil, segundo o balanço oficial da SPA. O ritmo de novas autorizações seguiu forte em 2026, como mostrou o Giro do Mercado ao noticiar a autorização de 188 casas de apostas no Brasil. A fiscalização acompanhou esse crescimento, com o bloqueio de mais de 25 mil sites de apostas ilegais em parceria com a Anatel. Segundo o mesmo balanço, 25,2 milhões de brasileiros apostaram em plataformas ao longo de 2025, sendo 68,3% homens e 31,7% mulheres, e as perdas anuais atribuídas ao mercado ilegal remanescente são estimadas em R$ 10,8 bilhões para a economia formal.

Outro indicador citado no balanço de um ano de regulação diz respeito à proteção ao apostador. A Plataforma Centralizada de Autoexclusão, lançada em dezembro de 2025, registrou mais de 217 mil pedidos voluntários de bloqueio em 40 dias de operação, com 73% dos usuários optando pela exclusão por prazo indeterminado.

Para o secretário da SPA, Regis Dudena, o conjunto de números resume a mudança de postura do poder público diante do setor. “O ano de 2025 marcou a primeira vez em que o Estado esteve plenamente presente nesse mercado”, afirmou o secretário, ao comentar os resultados de fiscalização, arrecadação e geração de empregos registrados no primeiro ano de regulação.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.