O painel do Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP), mantido pelo Ministério da Fazenda, mostrou que o Gross Gaming Revenue (GGR) das operadoras licenciadas somou R$ 7,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado atribuído pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) a um universo de 15,2 milhões de CPFs únicos que apostaram em plataformas regulamentadas no período. O sistema, criado com base nas Leis 13.756/2018 e 14.790/2023 para regular, monitorar e fiscalizar o mercado de apostas de quota fixa, tornou-se a principal fonte pública de números sobre o setor no país, permitindo comparar trimestres e semestres desde que o mercado passou a operar sob licença federal. Ao fim de março, o painel registrava 97.905.739 contas ativas nas operadoras licenciadas e 113.347.716 somando todas as marcas de apostas em funcionamento no Brasil, um retrato que ajuda a situar o tamanho da base de usuários por trás do faturamento trimestral. É esse mesmo painel que sustenta as comparações feitas a seguir, já que reúne dados diretamente reportados pelas operadoras licenciadas ao regulador federal.
Do total movimentado como GGR no trimestre, R$ 914 milhões, equivalentes a 12% do resultado bruto, foram recolhidos como contribuição e distribuídos entre seis destinos previstos em lei: o esporte recebeu R$ 329,1 milhões, o turismo ficou com R$ 256 milhões, a segurança pública absorveu R$ 124,3 milhões, educação e previdência receberam R$ 91,4 milhões cada uma, e a saúde foi contemplada com R$ 9,1 milhões. A distribuição confirma o esporte como o principal destinatário dos recursos gerados pelas apostas, seguido de perto pelo turismo, enquanto a fatia destinada à saúde permanece a menor entre as seis áreas listadas pelo painel. Esses valores dizem respeito apenas ao trimestre mais recente, e não se somam à arrecadação tributária apurada em relatórios anteriores, que segue um recorte fiscal diferente.
O perfil dos apostadores também aparece detalhado no painel. Homens representaram 68% do total no primeiro trimestre de 2026, contra 32% de mulheres, e a faixa etária de 31 a 40 anos concentrou a maior fatia, com 28,85% dos registros, seguida pelos apostadores de 25 a 30 anos, com 22,08%, e pelos que têm até 24 anos, com 21,66%. Comparados aos números do primeiro semestre de 2025, quando a proporção era de 71% de homens para cerca de 29% de mulheres, os dados do trimestre mais recente indicam que a participação feminina cresceu, reduzindo a fatia masculina em três pontos percentuais no intervalo entre os dois relatórios. O painel também mostra como os apostadores se distribuem entre operadoras: 44,36% mantinham conta em apenas uma plataforma no primeiro trimestre de 2026, enquanto 55,64% tinham contas abertas em duas ou mais casas simultaneamente, um indício de que a multiplicidade de contas segue sendo hábito majoritário entre quem aposta.
Colocado lado a lado com o relatório do primeiro semestre de 2025, quando 17,7 milhões de brasileiros acessaram plataformas autorizadas e o GGR total do período somou R$ 17,4 bilhões, com gasto médio de R$ 983 por apostador ativo no semestre, equivalente a cerca de R$ 164 por mês, o ritmo do trimestre mais recente aponta para algo próximo de R$ 500 por apostador, ou cerca de R$ 167 mensais. Como os dois relatórios usam bases temporais diferentes, trimestre contra semestre, a comparação direta dos totais não indica queda real no ticket médio: normalizado por mês, o gasto por apostador aparenta ter se mantido estável entre os dois períodos, mesmo com o crescimento da base de contas ativas registrado pelo painel mais recente.
O semestre anterior também trouxe uma dimensão fiscal e regulatória que ajuda a contextualizar o painel mais recente. A arrecadação federal com tributos sobre apostas somou R$ 3,8 bilhões no primeiro semestre de 2025, mesmo período em que a SPA abriu 66 processos de fiscalização contra 93 marcas, resultando em sanções para 35 delas, e determinou o encerramento de 255 contas financeiras ligadas a apostas ilegais. Até aquele relatório, o órgão já havia determinado o bloqueio de 15.463 páginas de sites de apostas ilegais desde outubro de 2024, um esforço de fiscalização que corre em paralelo à autorização de novas operadoras, como mostrou o levantamento sobre a SPA autorizar 188 casas de apostas no Brasil.
Ao deixar o cargo de secretário de Prêmios e Apostas no início do ano, Regis Dudena resumiu o que via como o principal ganho da regulação ao fazer um balanço do primeiro ano de mercado regulado. “É a primeira vez na história que o Estado sabe quem pode prestar esse serviço, quem são os sócios e dirigentes, e pode atuar de forma mais efetiva na proteção das pessoas e no combate à fraude e à lavagem de dinheiro”, disse o então secretário.



