A Plataforma Centralizada de Autoexclusão, em operação desde o fim de 2025 pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, permite que um único cadastro bloqueie o acesso a todos os sites de apostas autorizados no país de uma só vez. O usuário faz login com sua conta gov.br de nível prata ou ouro, e a exclusão vale para o conjunto das operadoras licenciadas pela SPA/MF, sem necessidade de repetir o pedido em cada plataforma separadamente.
Antes da centralização, quem queria se afastar das bets precisava acionar operadora por operadora, muitas vezes preenchendo formulários distintos em cada aplicativo. Com a plataforma única, o sistema bloqueia de uma vez as contas ativas vinculadas ao CPF informado e passa a impedir novos cadastros com o mesmo documento em qualquer casa autorizada. A publicidade direcionada ao usuário autoexcluído também deixa de ser enviada.
O processo tem quatro etapas: login, escolha do prazo, indicação do motivo e confirmação dos termos. A duração do bloqueio pode variar de 1 a 12 meses ou ser indeterminada, hipótese em que o prazo mínimo de permanência é de 12 meses. Entre as justificativas disponíveis estão decisão voluntária, dificuldades financeiras, recomendação de profissional de saúde, perda de controle sobre o jogo e questões de saúde mental. Nenhuma delas é obrigatória; o campo pode ficar em branco, e a solicitação segue válida mesmo assim.
Feito o pedido, as operadoras têm até 72 horas para bloquear o acesso do usuário a sites e aplicativos, contadas a partir da notificação automática enviada pelo sistema. A plataforma também indica pontos de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) para quem busca apoio em saúde mental. Pode recorrer a ela até quem nunca chegou a abrir uma conta em casa de apostas, o que amplia o alcance da ferramenta para além do público que já aposta.
Em nota divulgada em maio, quando a plataforma somava 574 mil cadastros, o Ministério da Saúde, parceiro da iniciativa, classificou a ferramenta como parte de uma política mais ampla de prevenção e redução de danos. “Estamos criando instrumentos modernos para enfrentar um problema contemporâneo com respostas concretas, baseadas em evidências e orientadas pela proteção da população”, afirmou na ocasião o ministro Alexandre Padilha. Naquele balanço de maio, 69% dos usuários haviam optado pelo bloqueio por tempo indeterminado, e 41% citaram perda de controle sobre o jogo ou impactos na saúde mental como motivo da adesão.
O uso da ferramenta segue em ritmo de crescimento no mercado regulado. Balanço da Fazenda divulgado em 9 de julho apontava 925 mil pessoas já cadastradas no sistema de autoexclusão, mais que o quádruplo do total registrado em janeiro deste ano. O universo de operadoras sob esse guarda-chuva regulatório também é amplo: o mercado chegou a julho de 2026 com 187 plataformas autorizadas pela SPA, todas obrigadas a aderir ao mecanismo único de bloqueio.
A ferramenta se soma a outras exigências recentes de proteção ao consumidor no setor. Desde 17 de julho, por exemplo, é obrigatório o aviso de risco em toda publicidade de apostas veiculada no país, medida que caminha na mesma direção: dar ao apostador mais controle e informação sobre o próprio comportamento de jogo.
Para operadores e afiliados, a centralização também simplifica a rotina de compliance. Em vez de manter processos próprios e desconectados de autoexclusão, as casas autorizadas operam sob um fluxo único, com prazos e critérios definidos pelo regulador. Na prática, a exigência reforça a distância entre o ambiente licenciado e o mercado clandestino, que não está sujeito a esse tipo de controle nem de fiscalização, e tende a pesar cada vez mais na comparação entre os dois ambientes.



