Um pedido de vista do ministro Flávio Dino interrompeu, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento que decide se a exploração de jogos de azar continua sendo contravenção penal no Brasil. Com isso, a Corte empurrou para novembro de 2026 o desfecho de um processo que, segundo a expectativa dos próprios ministros, deve ser concluído em conjunto com a análise das apostas eletrônicas.
O que interrompeu o julgamento no STF?
O julgamento começou no Plenário na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, às 14h, com o ministro Luiz Fux como relator. Fux votou para manter a proibição penal dos jogos de azar, mas o processo foi suspenso antes de uma conclusão, depois que Dino pediu vista para defender uma análise mais ampla, que englobe também as bets.
Por que Dino quer julgar bets e jogos de azar juntos?
Na sustentação que fundamentou o pedido de vista, Dino questionou a lógica de separar os dois temas. “Se estamos dizendo que jogo de azar é contravenção, bet é contravenção, pois bet é jogo de azar. Estamos tratando de jogo de azar, menos bet. Mas porque menos bet?”, disse o ministro.
Os ministros decidiram, por consenso, aguardar o retorno do processo para concluir a análise em conjunto com duas ADIs que discutem a Lei das Bets. Um caso relacionado, a ADPF 1.212, discute ainda a competência dos municípios para instituir loterias e autorizar apostas esportivas.
Qual é o calendário até novembro?
Do voto do relator ao possível desfecho conjunto, a linha do tempo do caso ficou assim:
- 5 de agosto de 2026: abertura do julgamento no Plenário, com voto do relator Luiz Fux pela manutenção da proibição penal.
- Mesma sessão: pedido de vista de Flávio Dino suspende a análise, com prazo regimental de até 90 dias.
- Novembro de 2026: expectativa de retomada e julgamento conjunto com as duas ADIs sobre a Lei das Bets.
Enquanto esse prazo corre, nenhuma das partes tem uma resposta definitiva sobre a validade da norma, o que mantém em suspenso tanto processos penais individuais quanto a discussão mais ampla sobre a regulação das apostas eletrônicas.
Quantos processos dependem da decisão?
A repercussão geral do caso foi reconhecida pelo STF em 2016, dez anos antes de o julgamento de mérito ser retomado em 2026, o que torna a decisão final vinculante para todas as instâncias inferiores. Pelo menos 2.728 processos estão suspensos em todo o país aguardando essa definição, por força da própria repercussão geral.
Esse volume representa ao menos parte do universo de ações na Justiça brasileira diretamente dependentes da tese que o STF vai fixar, o que dá ao adiamento um peso concreto para o setor de jogos e apostas. O tema integra uma agenda mais ampla de decisões que devem redesenhar o mercado de apostas no Brasil, como mostra a cobertura sobre o julgamento do STF que virou termômetro para as bets.
O que diz o artigo 50 da Lei de Contravenções Penais?
O STF julga a validade do artigo 50 da Lei de Contravenções Penais, o Decreto-Lei 3.688/1941, que classifica a exploração de jogos de azar como contravenção penal, com pena de três meses a um ano de prisão, além de multa. A norma tem 85 anos, editada em 1941, muito antes da Constituição de 1988 que agora coloca sua recepção em xeque.
Como Fux abriu o julgamento?
Ao abrir a sessão, Fux classificou os aplicativos de apostas como “nova estratégia mercadológica deletéria” e citou o uso de recursos tecnológicos e psicológicos para estimular a continuidade das apostas mesmo após perdas sucessivas. A fala, segundo a cobertura da CNN Brasil sobre o julgamento de jogo de azar, deu o tom crítico que marcou a abertura do processo.
No mesmo período de sessões, a Corte também debate, sob relatoria do ministro Edson Fachin, a ampliação da Lei Maria da Penha para ambientes de trabalho e comunidade, conforme aponta o Correio Braziliense.



