Urgente BSOP Millions 2026 terá o 1º buy-in de R$ 500 mil do poker
Casas de Apostas

Bets caem de 18 para 12 patrocínios máster na Série A

Em 2026, apenas 12 dos 20 clubes da Série A trazem uma casa de apostas no espaço máster da camisa, queda de 33% frente aos 18 clubes de 2025.

Por Rodrigo Salgado 25 de setembro 4 min de leitura
Resumo Em 2026, apenas 12 dos 20 clubes da Série A trazem uma casa de apostas no espaço máster da camisa, queda de 33% frente aos 18 clubes de 2025.
Partida do Campeonato Brasileiro Série A com estádio cheio ao fundo (Foto de arquivo: partida do Campeonato Brasileiro Série A, 2015.)
Foto de arquivo: partida do Campeonato Brasileiro Série A, 2015. (Foto: Guilherme CC BY-SA 4.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ava%C3%AD_vs._Palmeiras_-_2015_Campeonato_Brasileiro_S%C3%A9rie_A_-_October_17.jpg)

Quem circula pelos estádios da Série A em 2026 encontra uma camisa de patrocínio máster estampada com o nome de uma casa de apostas em apenas doze dos vinte clubes da elite, um retrato bem diferente do que se via no ano anterior, quando esse número chegava a dezoito equipes. A queda, de 33%, marca uma reversão em relação ao movimento de expansão das bets no patrocínio máster das camisas brasileiras, que começou a ocupar esse espaço em 2019.

A trajetória ajuda a dimensionar o tamanho do recuo. Em 2024, quinze dos vinte clubes da Série A já tinham algum acordo com bets; em 2025, o número de contratos se espalhou por todo o campeonato, com as vinte equipes mantendo algum tipo de vínculo comercial com o setor, sendo que dezoito delas usavam a marca especificamente no espaço máster da camisa. Depois do salto de 15 para 18 clubes entre 2024 e 2025, esse crescimento foi interrompido pela primeira vez na temporada que começou em 28 de janeiro deste ano.

Nem todos os clubes que perderam patrocinador substituíram a lacuna. Vasco, Grêmio, Internacional, Coritiba, Bahia e Santos encerraram seus contratos com casas de apostas e, até o momento, não anunciaram um novo patrocinador máster para ocupar o espaço. Red Bull Bragantino, patrocinado pela marca de energético, e Mirassol, com uma marca de refrigerante no peito, também seguem sem bets como patrocinadoras máster.

Entre os clubes que mantiveram o modelo, os valores pagos pelas operadoras continuam elevados e concentrados no topo da tabela. O Flamengo lidera com folga, recebendo R$ 268,5 milhões anuais da Betano, à frente do São Paulo, que recebe R$ 113 milhões da Superbet, do Corinthians, com R$ 103 milhões pagos pela Esportes da Sorte, e do Palmeiras, que fecha o pódio com R$ 100 milhões da Sportingbet.

O acordo rubro-negro nasceu de um processo de seleção que, segundo nota oficial do clube, reuniu seis empresas concorrentes: Esportes da Sorte, Sportingbet, Superbet, 7K Bet, Betano e a própria Bet Nacional, todas disputando a vaga por meio de uma proposta única, sem leilão nem segunda rodada, em um formato que o Flamengo descreveu como alinhado a padrões de transparência. O contrato com a Betano foi anunciado em 18 de agosto de 2025 e cobre o futebol profissional, os esportes olímpicos do clube e a FlamengoTV, tendo sido descrito pela CNN Brasil como o maior patrocínio já firmado no futebol brasileiro. Antes dele, o posto pertencia à Pixbet, cujo contrato havia sido renovado em 2024 por cerca de R$ 470 milhões, com vigência prevista até 2027.

A própria Betano ilustra outra camada do fenômeno, já que a marca detém, desde 2024, os direitos de naming do Campeonato Brasileiro em si, num contrato de três anos que vai até esta temporada de 2026, cenário que dialoga com a mesma redistribuição do investimento das bets entre diferentes formatos de patrocínio no futebol brasileiro.

Para o professor de marketing esportivo da ESPM Ivan Martinho, o movimento representa o fim de uma fase de euforia em que as bets buscavam escala e visibilidade rápidas a qualquer custo, o que teria inflacionado o mercado nos primeiros anos, sem caracterizar um estouro de bolha. Com um ambiente regulatório mais claro e uma carga tributária maior sobre o setor, a lógica das operadoras teria mudado para menos volume de contratos e mais critério na hora de investir.

“Não estamos vendo o fim das bets no futebol, apenas o fim de uma fase de euforia. O mercado está amadurecendo e isso tende a ser positivo para clubes, marcas e para a sustentabilidade do sistema como um todo no longo prazo”, resume Martinho.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.