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Arrecadação com bets bate recorde na Copa

Receita da União com bets soma R$ 513 milhões em junho, maior valor mensal desde a regulamentação do setor, aponta balanço oficial.

Por Rodrigo Salgado 31 de julho 4 min de leitura
Resumo Receita da União com bets soma R$ 513 milhões em junho, maior valor mensal desde a regulamentação do setor, aponta balanço oficial.
Nota de 20 reais do Banco Central do Brasil, cédula de dinheiro brasileiro
Foto: Oleg Yunakov, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

A União fechou junho de 2026 com o maior valor mensal já arrecadado com a exploração comercial das apostas de quota fixa desde que o mercado foi regulamentado: R$ 513 milhões. O número, obtido por meio da Lei de Acesso à Informação e divulgado no fim de julho, coincide com o mês em que o Brasil disputou a Copa do Mundo, período de pico histórico de apostas em eventos esportivos no país.

A trajetória vinha em alta havia meses. Abril rendeu R$ 400,7 milhões aos cofres públicos, maio somou R$ 418,7 milhões e junho, com o impulso adicional do calendário do Mundial, ultrapassou pela primeira vez a marca de meio bilhão de reais em um único mês. Somada desde janeiro de 2024, quando entraram em vigor as primeiras regras de cobrança do setor, essa linha de receita já totaliza R$ 6,64 bilhões para a União.

Esse valor corresponde a apenas uma das cobranças que incidem sobre as operadoras licenciadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas, ligada ao direito de explorar comercialmente a atividade no país. A maior fatia da arrecadação do setor vem de outra fonte, o tributo sobre a receita bruta de jogo, calculada depois de descontados os prêmios pagos aos apostadores, e segue em ritmo ainda mais acelerado. Como o Giro do Mercado mostrou, a arrecadação com apostas de quota fixa e loterias somou R$ 4,586 bilhões só entre janeiro e abril deste ano, alta de 99,14% ante os R$ 2,283 bilhões do mesmo intervalo de 2025.

A comparação com o ano anterior dá a medida do salto. Um ano antes, quando o mercado regulado completava apenas seis meses de vigência plena, essa mesma linha de tributação havia somado R$ 3,8 bilhões em todo o primeiro semestre, segundo levantamento com dados da Receita Federal divulgado à época. Em 2026, os quatro primeiros meses do ano, sozinhos, já haviam superado o total acumulado em todo o semestre anterior, um sinal de que o ritmo de expansão do setor regulado não perdeu fôlego no segundo ano de mercado formal.

Parte da aceleração reflete o novo degrau da alíquota sobre a receita bruta de jogo, que subiu de 12% para 13% neste ano por força da Lei Complementar 224/2025, com trajetória prevista até 15% em 2028. Metade do valor arrecadado com esse aumento específico tem destinação definida para a seguridade social, e a outra metade, para ações de saúde. A legislação também reserva parcelas da receita do setor para segurança pública e turismo, além da taxa de fiscalização cobrada das próprias operadoras, que somou R$ 105 milhões ao longo de 2025.

Os números consolidados de junho foram apresentados por auditores fiscais da Receita Federal em coletiva de imprensa realizada em 30 de julho, no edifício sede do Ministério da Fazenda, em Brasília, dentro do calendário regular de divulgação mensal do órgão. O rito confirma que a arrecadação das bets já integra, como item recorrente, os balanços fiscais que o governo apresenta todo mês para explicar o desempenho da receita federal.

Para o mercado formal, o encadeamento de recordes mensais reforça o argumento de que a regulação aprovada em 2023 cumpriu o objetivo fiscal original. A receita da exploração comercial cresceu de forma consistente desde valores inferiores a R$ 100 milhões por mês, no início da vigência das regras, até o patamar atual acima de R$ 500 milhões, evidenciando tanto a maturação da base de apostadores quanto o efeito de uma fiscalização mais rígida sobre operadores sem licença.

Com o calendário esportivo de 2026 ainda concentrando grande volume de apostas ao longo do segundo semestre, a tendência é que o setor continue entre os itens observados de perto nos próximos balanços mensais da Receita Federal. O governo tem interesse direto no reforço fiscal que a atividade proporciona, e as operadoras licenciadas passaram a usar o próprio crescimento da arrecadação formal como argumento contra a permanência de sites não autorizados no mercado brasileiro.

Rodrigo Salgado
Quem escreve: Rodrigo Salgado
Repórter de mercado e negócios. Cobre operadoras licenciadas, parcerias, movimentações executivas e o mercado de afiliados de apostas no Brasil.